sábado, 17 de setembro de 2016

São José: Excelências de príncipe e operário

Para se traçar o verdadeiro perfil moral do chefe da Sagrada Família, seria preciso saber interpretar a Divina Face do Santo Sudário de Turim e, à maneira de suposição, deduzir algo da personalidade de quem foi o educador daquele semblante que ali está, e o esposo da Mãe d’Ele.
Casado com Aquela que é chamada de o “Espelho da Justiça”, pai adotivo do “Leão de Judá”, São José devia ser um modelo de fisionomia sapiencial, de castidade e de força. Um homem firme, cheio de inteligência e critério, capaz de tomar conta do Segredo de Deus. Uma alma de fogo, ardente, contemplativa, mas também impregnada de carinho.
Descendia da mais augusta dinastia que já houve no mundo, isto é, a de David. Segundo São Pedro Julião Eymard, Fundador da Congregação dos Padres Sacramentinos, os judeus reconheciam em São José o homem com direito ao trono real, caso a monarquia legítima fosse restaurada na Terra Santa. Direito este que Nosso Senhor Jesus Cristo herdou de seu pai legal, e por isso foi aclamado como “o filho de David”, quando entrou em Jerusalém. Ou seja, não era um descendente qualquer do Rei Profeta, mas o primogênito pretendente ao trono. E São José era o varão por meio de quem esta dignidade se transferiu para o próprio Filho de Deus.
Quis a Providência nobilitar a classe operária, fazendo com que o pai adotivo de Jesus fosse também trabalhador manual, exercendo o ofício de carpinteiro. Desse modo, São José reunia em si os dois extremos da escala social na harmonia interior da santidade e da pessoa dele. Estava no ápice como príncipe da Casa de David, mas era um príncipe empobrecido, que tirava do seu labor artesanal o sustento da Sagrada Família.
Como operário, soube ser humilde e tributar o devido respeito aos que lhe eram superiores. Como príncipe, conhecia também a missão de que estava imbuído, e a cumpriu de forma magnífica, contribuindo para a preservação, defesa e glorificação terrena de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em suas mãos confiara o Padre Eterno esse Tesouro, o maior que jamais houve e haverá na História do universo! E tais mãos só podiam ser as de um autêntico chefe e dirigente, um homem de grande prudência e de profundo discernimento, bem como de elevado afeto, para cercar da meiguice adorativa e veneradora necessária o Filho de Deus humanado.

Ao mesmo tempo, um homem pronto para enfrentar, com perspicácia e firmeza, qualquer dificuldade que se lhe apresentasse: fossem as de índole espiritual e interior, fossem as originadas pelas perseguições dos adversários de Nosso Senhor.

domingo, 12 de junho de 2016

São José: O único homem à altura de Jesus e Maria

Eleita pela Santíssima Trindade para ser a Mãe Admirável do Verbo Encarnado, Nossa Senhora é a mais perfeita de todas as meras criaturas. Mesmo se considerássemos, num só conjunto, as excelências dos Anjos, dos Santos e dos homens que existiram, existem e existirão até o fim do mundo, não teríamos sequer uma pálida ideia das celestes perfeições de Maria, que reluziram aos olhos de Deus desde o primeiro instante de sua Imaculada Conceição.
Para cumprir os eternos desígnios da Divina Providência no tocante à Redenção da humanidade, foi preciso que, em determinado momento, essa criatura excelsa contraísse legítimo matrimônio. Assim poderia Ela, sem detrimento de sua reputação, conceber miraculosamente e dar à luz o Filho do Altíssimo.
Ora, entre esposo e esposa deve haver certa proporcionalidade: não pode um ser por demais superior ao outro. Era necessário, portanto, surgir um homem que, por seu amor a Deus, por sua justiça, pureza, sabedoria, enfim, por todas as suas qualidades, estivesse à altura daquela augusta Esposa.
Mais ainda. É também conveniente que o pai seja proporcionado ao filho. Por isso, era preciso que esse mesmo varão, com toda a dignidade, arcasse com a honra de ser o pai adotivo do Verbo feito carne.
E houve um único homem criado para essa sublime missão, um homem cuja alma recebeu do Pai Eterno todos os adornos e predicados que o colocassem inteiramente à altura de seu chamado. Esse homem, entre todos escolhido por estar na proporção de Nossa Senhora e de Nosso Senhor Jesus Cristo, foi São José.
A ele coube essa glória, esse píncaro inimaginável de ser esposo da Virgem-Mãe e pai legal do Menino Jesus. Como legítimo consorte de Nossa Senhora, possuía São José plenos direitos sobre o Fruto das imaculadas entranhas d’Ela, embora este Fruto houvesse sido engendrado pelo Espírito Santo. Quer dizer, sem contar a própria maternidade divina, não se pode conceber vocação mais extraordinária! É uma grandeza inconcebível.
Pensemos, por exemplo, nos momentos em que São José trouxe em seus braços o Menino Jesus, ou naqueles em que ele O viu praticar os atos da vida comum na santa casa de Nazaré, ou ainda nas horas em que O contemplou imerso nos colóquios com o Padre Eterno... Consideremos quão puros deviam ser seus lábios, e quão insondável a sua humildade para conversar com o Divino Infante, responder às perguntas d’Ele ou Lhe dar um conselho, quando solicitado. Um simples ser humano, formado e plasmado pelas mãos do Criador, ensinando a Deus!
Pensemos, ainda, no trato repassado de elevação e respeito entre São José e Nossa Senhora, quando Ela se ajoelhava diante dele para o servir. Ele vê aquela Criatura, que é o Céu dos Céus, inclinada à sua frente, e aceita seus préstimos. Como se tal não bastasse, a Esposa também se aconselha com ele, troca opiniões e acata suas ordens.

Numa palavra, ele era o homem que tinha bastante sabedoria e pureza para governar a Deus e a Virgem Maria. Então se compreende quão inimaginável é a grandeza de São José!
Continua.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Modelo de cavaleiro

Um dos episódios mais bonitos da vida de São José é a fuga para o Egito.
O Santo Patriarca recebe em sonho a visita de um Anjo que lhe diz que o Rei Herodes está querendo matar o Menino Jesus. Então ele sai às escondidas, com Nossa Senhora e seu Divino Filho, e vão para o Egito.
A defesa do maior tesouro que houve na Terra — e tesouro maior do que esse não há no Céu — ficou inteiramente confiada a São José, que representava o braço vigoroso, a previdência, a força varonil na defesa de um Menino que era ao mesmo tempo Deus, mas quis ser fraco nas mãos de São José.
Nós louvamos e apreciamos muito a vocação de Godofredo de Bouillon, que comandou as tropas na reconquista de Jerusalém. É o cruzado por excelência, é uma coisa linda!
Entretanto, muito mais do que retomar o Santo Sepulcro para Nosso Senhor é defender a Ele próprio! E disto São José foi encarregado bela e gloriosamente. Ele foi, portanto, o cavaleiro-modelo na defesa do Rei dos reis, do Filho de Deus encarnado.

Plinio Correa de Oliveira - Extraído de conferência de 30/7/1989

quinta-feira, 19 de março de 2015

São José

Ouça a homilia de Mons João Clá Dias, fundador dos Arautos do Evangelho, sobre São José, o pai adotivo do Menino Jesus.

domingo, 16 de março de 2014

FESTA DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO

CONCLUSÃO DOS COMENTÁRIOS AO EVANGELHO SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO 
Em corpo e alma na glória do Céu
São Francisco de Sales sustenta a tese. de que quando Cristo ressuscitou, São José também recuperou seu corpo para entrar no Paraíso junto com as almas de todos os justos que nesse momento foram libertadas do Limbo e alcançaram a visão beatífica. “E se é verdade, o que devemos acreditar, que em virtude do Santíssimo Sacramento que recebemos nossos corpos ressuscitarão no dia do Juízo, como poderíamos duvidar que Nosso Senhor tenha feito subir ao Céu, em corpo e alma, o glorioso São José que teve a honra e a graça de levá-Lo em seus benditos braços, nos quais Nosso Senhor tanto secomprazia?”13
Em favor disso argumentam ainda outros santos e doutores,14 apoiando-se na estreita intimidade que uniu a Sagrada Família aqui na Terra. Se Jesus e Maria subiram em corpo glorioso ao Céu, não é compreensível que não esteja lá também São José, pois o próprio Nosso Senhor afirmou: “Não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 6; Mc 10, 9). Por conseguinte, segundo uma forte corrente teológica, dado que esta união é querida por Deus, há três pessoas em corpo e alma na bem-aventurança eterna, antes mesmo da ressurreição final no último dia: Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José.
Ao considerarmos, admirados, a figura de São José e a elevação inimaginável de sua vocação — a ponto de ser impossível cogitar outra mais alta —, vemos que ele está tão acima da nossa condição que o julgamos na mesma proporção de Maria. Cabe, pois, perguntar: acaso foi ele concebido sem pecado original? Até hoje o Magistério da Igreja não afirmou o contrário de ma neira definitiva, razão pela qual podem ser feitas considerações teológicas favoráveis a tal hipótese.
ACORRAMOS A SÃO JOSÉ!
Ante os horizontes grandiosos que a contemplação amorosa da figura de São José nos descortina, podemos centrar agora nossa atenção em sua missão de Patriarca da Igreja e protetor de toda a ação dela. Qual é essa ação? Distribuir as graças como administradora dos Sacramentos, que tornam efetivo o desígnio de salvação de Cristo. A Igreja, no seu nascedouro, reduzia-se a Jesus e a Maria, que obedeciam a São José como Patriarca e chefe da Sagrada Família. Essa relação entre Filho e pai se mantém na eternidade, de modo que Nosso Senhor atende com particular benevolência aos pedidos feitos por São José.
Em nossos dias encontramo-nos em uma situação de decadência moral terrível, talvez pior do que aquela na qual viviamos homens quando Nosso Senhor Jesus Cristo. Se encarnou e São José recebeu as primIcias da Igreja em suas mãos, O mundo inteiro está imerso no neopaganismo; os crimes e abominações que se cometem hoje são, às vezes, piores que os da Antiguidade. Mas tal como nos seus primórdios a Igreja propagou a Boa-nova do Evangelho e deu início a uma era de graças purificadoras e santificadoras da sociedade, também podemos ter a certeza firme e inabalável de que eia triunfará sobre o mal em nossos dias. Por isso, a Solenidade de São José é o dia especialíssimo para abrir nossos corações à devoção a este tão grande Santo, na certeza de sermos bem conduzidos, bem tratados e bem amparados. E valendo-nos de seu poderoso auxílio, devemos pedir-lhe, enquanto Patriarca da Igreja, que intervenha nos acontecimentos, obtendo de Jesus a renovação da face da Terra.
1) Cf. ALASTRUEY, Gregorio. Tratado de la Virgen Santísima. 4.ed. Madrid: BAC,1956, p.841.
2) Cf. SAO TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica. I, q.50, a.1, ad 1. 4
3) Cf. CLA DIAS, EP, João Scognamigijo. Dois silêncios que mudaram a História. In: Arautos do Evangelho. São Paulo. N.108 (Dez., 2010); p.10-17;
4) AUTOR INCERTO. Opus impetfectum in Matthæum. Hom.I, c.1: MG 56, 633.
5) Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. In IV Sent. D.30, q.2, a.2, ad 5.
6) DE ISOLANO, OP, Isidoro. Suma de los dones de San José. II, c.11. In: LLAMERA, OP, Bonifacio Teología de San José. Madrid: BAC, 1953, p.484-485.
7) Cf. SAO TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica. III, q.31, a.2.
8) TUYA, OP, Manuel de; SALGUERO, OP, José. Introducción a la Biblia. Madrid: BAC, 1967, vIl, p.316.
9) SÃO FRANCISCO DE SALES. Entretien XIX. Sur les vertus de Saint Joseph. In: OEuvres Complètes. Opuscules de spiritualité Entretiens spirituels. 2.ed. Paris: Louis Vivès, 1862, t.III, p.54 1.
10) Cf. LLAMERA, op. cit., p.129-139.
11) SAO TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica. III, q.27, a.4.
12) SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ. Oração do Dia. In: MISSAL ROMANO. Trad. Portuguesa da 2a. edição típica para o Brasil realizada e publicada pela CNBB com acréscimos aprovados pela Sé Apostólica. 9.ed. São Paulo: Paulus, 2004, p.563.
13) SÃO FRANCISCO DE SALES, op. cit., p.546.
14) Cf. SAO BERNARDINO DE SENA. Sermones de Sanctis. De Sancto Joseph Sponso Beatæ Virginis. Sermo I, a.3. In: Sermones Eximü. Veneza: Andreæ Poletti, 1745, t.IV, p.235; DE ISOLANO, op. cit., IV, c.3, p.629-630.


sábado, 15 de março de 2014

SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO

COMENTÁRIOS AO EVANGELHO SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO 
GRANDEZA DE SÃO JOSÉ À LUZ DO EVANGELHO
Nestes breves versículos torna-se patente o quanto São José é pai legal de Nosso Senhor, pois o santo Patriarca exerceu de fato esse encargo, a ponto de, no Evangelho de São Lucas, Maria mencionar José como sendo pai de Jesus, ao encontrá-Lo no Templo: “Eis que teu pai e Eu andávamos à tua procura, cheios de aflição” (Lc 2, 48).
Com efeito, o matrimônio realizado entre Nossa Senhora e São José foi inteiramente válido, segundo a Lei. E como todo casamento, por ser um contrato bilateral, dependia da anuência de ambos. E também uma verdade admitida por todos os Padres e teólogos que tanto Maria como José estiveram vinculados a um voto de virgindade. Decerto, Ela lhe terá comunicado esse propósito que fizera e ele o aceitou, pois também terá feito o mesmo voto, pelo que os dois concordaram em mantê-lo dentro do matrimônio. Portanto, Ela foi Virgem com o conhecimento e o consentimento de seu esposo, ficando ligados de livre e espontânea vontade a esse compromisso.
Como sabemos, segundo a Lei antiga o varão tornava-se dono de sua esposa, de modo que “a mulher israelita costumava chamar seu marido com os termos ba’al — ‘amo’ e ‘adôn — ‘senhor’, como faziam os escravos com seu dono e o súdito com seu rei”.8 A partir do momento em que ambos se uniram, SãoJosé tornou-se senhor de Maria e, em consequência, senhor de todo o fruto d’Ela. São Francisco de Sales explica esta situação por meio de uma bela alegoria: “Se uma pomba [...] leva em seu bico uma tâmara e a deixa cair num jardim, não diríamos que a palmeira que vier a nascer pertence àquele de quem é o jardim? Ora, se isto é assim, quem poderá duvidar que o Espírito Santo, tendo deixado cair essa divina tâmara, como uma divina pomba, no jardim encerrado e fechado da Santíssima Virgem (jardim selado e rodeado por todos os lados pelas cercas do santo voto de virgindade e castidade toda imaculada), a qual pertencia ao glorioso São José, como a mulher ou esposa pertence ao esposo, quem duvidará, digo, ou quem poderá dizer que essa divina palmeira, cujos frutos alimentam para a imortalidade, não pertence ao grande São José?”.9
Para a Encarnação era indispensável Nossa Senhora conceber dentro das aparências de um casamento humano, a fim de não criar uma situação incompreensível, que dificultasse a missão do Messias. Logo, a gestação de Jesus no seio de Maria Santíssima tinha em José o selo da legalidade, de forma a garantir que o Menino viesse ao mundo em condições de normalidade familiar, a fim de operar a Redenção da humanidade.
O “fiat” de São José
Esta prerrogativa de São José, da paternidade legal do Menino, brilha ainda com maior fulgor quando constatamos que, sendo seu o fruto de Maria, ele poderia ter recusado o convite do Anjo no sonho, mas não o fez. Desse modo, paralelamente ao “Fiat!” de Nossa Senhora em resposta a São Gabriel no momento da Anunciação, também ele pronunciou outro fiat sublime, ao aceitar, pela fé, ser pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Uma vez que ele consentiu em manter o estado de virgindade e aceitou o mistério da concepção do Menino Jesus em Maria, São José deve ser considerado, ademais, pai virginal do Redentor, pois teve uma grande ligação com a Encarnação, embora extrínseca. Ele foi necessário para que houvesse a união hipostática, e foi vontade de Deus que também participasse desta ordem hipostática, de forma extrínseca, moral e mediata.10
Um esposo à altura de Nossa Senhora
Feitas essas considerações, lembremo-nos de outro princípio enunciado por São Tomás de Aquino: “Aqueles que foram eleitos por Deus para alguma coisa, Ele os prepara e dispõe de modo que sejam idôneos para desempenhar a missão”.11 De fato, desde toda a eternidade, São José esteve na mente de Deus com a vocação de ser chefe da Sagrada Família e para tal foi criado. Como diz a Oração do Dia da Santa Missa desta Solenidade, a ele foram confiadas “as primIcias da Igreja”.12 E teve sob sua custódia estas primIcias, que foram o Menino Jesus e Nossa Senhora. Devemos concluir, então, que São José recebeu graças específicas para estar à altura de sua missão de esposo e guardião de Maria Santíssima, bem como de pai legal e atribuído de Jesus Cristo, ou seja, pai de Deus.
Modelo de humildade
Entretanto, o que transparece acerca da personalidade de São José nos Evangelhos? Não consta que fosse falador, espalhafatoso ou demasiado comunicativo. Pelo contrário, à semelhança de Maria, José destacava-se pela seriedade, recato e despretensão. Certamente seguia uma rotina com horas marcadas para todos os seus deveres e uma aplicação ao trabalho notável pela constância.
Eis um exemplo do quanto Deus ama essas virtudes e escolhe para as grandes missões os que as praticam. Para conviver com Jesus e proteger todo o ambiente no qual Ele habitaria, a fim de realizar a mais alta obra de toda a História da criação, a Providência preferiu dois, uma dama e um varão, que fossem recolhidos, apagados e humildes...
São José, patrono da confiança e da boa morte
São José é também um impressionante modelo da virtude da confiança. Ele aceitou todas as incertezas que sua missão acarretava — como constatamos, por exemplo, no episódio da fuga para o Egito (cf. Mt 2, 14) —, pois é de se supor que, com relação ao atendimento das necessidades materiais e concretas da vida, a Providência não interviesse de forma direta, e deixasse essa responsabilidade aos cuidados dele. Portanto, era ele que tinha de garantir o sustento da Sagrada Família. A ele se aplica, de maneira especial, a belíssima frase empregada mais tarde por Nosso Senhor para indicar a razão do prêmio a ser dado aos justos, no fim do mundo: “tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes” (Mt 25, 35-36).
Do mesmo modo que Nossa Senhora recebeu a revelação dos padecimentos que o Salvador deveria sofrer na Terra para operar a Redenção, sem dúvida, também São José teve noção do que ia acontecer e assumiu todos os dramas e dores de Jesus e de Maria. Inflamado de amor por Jesus, seu grande desejo era de continuar neste mundo para proteger sua esposa virginal em todas as circunstâncias. Deus, porém, resolveu levá-lo antes de Jesus iniciar sua vida pública. Quiçá porque ele não toleraria presenciar todas as perseguições e tormentos da Paixão, e, enquanto varão, teria de manifestar seu desacordo com o plano da morte de Cristo e tomar a defesa d’Ele. Faria isso com tal ímpeto de zelo que talvez impossibilitasse que a Paixão chegasse a seu termo.

Ao abandonar esta vida, São José morreu nos braços de seu Divino Filho. Seus olhos apagaram-se para a contemplação de Deus-Homem no tempo e, abrindo-se para a eternidade, viram Jesus sorridente, que o deixou no Limbo dos Justos, para ser colhido no dia em que Ele descerrasse as portas do Céu.