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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Ó amadíssimo São José

“Dignai-vos, ó amadíssimo São José, aceitar a consagração que de mim mesmo vos faço. A vós me consagro inteiramente, a fim de que sejais sempre meu Pai, meu Protetor, meu Guia no caminho da salvação. Impetrai-me uma grande pureza de coração e grande amor à vida interior. Fazei com que, a vosso exemplo, todas as minhas ações se dirijam para a maior glória de Deus, em união com o Coração Divino de Jesus, com o Coração Imaculado de Maria e convosco. Finalmente rogai por mim a fim de que possa ter parte na paz e alegria que gozastes na vossa santa morte.” 
“E Vós, Senhor, que na vossa inefável providência Vos dignastes escolher o Bem-aventurado José para esposo de vossa Santíssima Mãe, concedei-me propício que mereça ter como intercessor no Céu àquele a quem na Terra venero como meu Protetor.”   

Pe. Thiago Maria Cristini, C. SS. R., “Meditações para todos os dias do ano tiradas das obras de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja”, Herder e Cia., tomo II, págs. 44 - 47, Friburgo em Brisgau, Alemanha, 1921.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Na coorte dos Santos, o primeiro abaixo de Nossa Senhora


Ao lado de todas as glórias que se acumularam sobre ele, São José recebeu, já nesta Terra, um prêmio inestimável: é o patrono da boa morte.
Com efeito, dir-se-ia que ele teve um passamento de causar inveja, pois faleceu entre os braços de Nossa Senhora e os de Nosso Senhor, que o cercaram de todo o carinho e consolação na sua última hora. Não se pode imaginar morte mais perfeita, com Eles ali, fisicamente presentes. De um lado, Nosso Senhor cumulava seu pai adotivo de graças cada vez maiores, à medida que a alma de São José continuava a se santificar nos derradeiros transes da agonia. De outro, Nossa Senhora lhe sorria com respeito, e procurava aumentar-lhe a confiança:
— Meu esposo! Lembre-se de que tudo se cumprirá. Coragem! vamos para a frente!
Em determinado momento, São José exala o último suspiro, e o Limbo se abre para a alma dele. Ali ficaria ele até o instante, entre todos bendito, em que a alma santíssima de Jesus, que morrera crucificado, desceu ao encontro daqueles eleitos, a fim de colocar um jubiloso termo na sua grande espera. Alguns — Adão e Eva, por exemplo — lá se achavam desde os primórdios da humanidade, aguardando durante milênios o Redentor que os levaria para a eterna bem-aventurança.
E o Messias veio. Podemos bem imaginar que toda a coorte do Limbo se reuniu em torno de São José para receber o Salvador. E que Este, tão logo ali se mostrou, resplandecente de glória, tendo perdoado e redimido o gênero humano, manifestou-se de modo especial a São José, como que exclamando: “Oh! meu pai!”
Era o ápice do cumprimento de todas as promessas, a perfeita realização de um chamado que passou por indizíveis perplexidades e incomparáveis glórias. E São José, esposo de Maria Virgem, pai adotivo de Jesus, declarado Patrono da Igreja, ocupa no Céu um lugar tão eminente que recebe o culto de protodulia. Ou seja, abaixo de Nossa Senhora — a qual merece a devoção de hiperdulia — é ele o primeiro a ser venerado na extensa hierarquia dos Santos.

Grandiosa recompensa à qual fez jus esse varão que praticou em grau elevadíssimo a virtude da confiança.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Cavaleiro-modelo na proteção do Rei dos Reis


As dificuldades não haviam abandonado as sendas pelas quais caminharia São José. Basta recordar, por exemplo, as recusas de que foi objeto nas estalagens de Belém, quando procurava abrigo para Nossa Senhora, na iminência do nascimento do Menino-Deus. Ou então a fuga para o Egito.
“Fuga para o Egito”... Quatro palavras que a nós parecem banais: toma-se um avião e em pouco tempo se vai de Jerusalém ao Egito. Não era assim no tempo em que São José, recebendo o aviso de que o cruel Herodes procurava matar o recém- nascido Rei dos judeus, foi obrigado a tomar a Mãe e o Menino e com eles partir para a terra dos faraós.
Uma viagem incerta, longa, através de desertos onde se ocultavam toda sorte de perigos: das feras famintas aos ladrões e salteadores, capazes de não só roubar e matar, como também de levar os viajantes em cativeiro, a fim de comercializá-los nos mercados de escravos. E São José, com seu coração de fogo, sua previdência e força varonil, enfrentou todos esses obstáculos, levando Nossa Senhora sobre um burriquinho e, ao colo d’Ela, o Menino Jesus, o Deus que quis ser fraco nos braços e nas mãos do glorioso Patriarca.
Costuma-se apreciar e louvar, com justiça, a vocação de Godofredo de Bouillon, o vitorioso guerreiro que, na Primeira Cruzada, comandou as tropas católicas na conquista de Jerusalém. É uma linda proeza! Ele é o cruzado por excelência.

Porém, muito mais do que retomar o Santo Sepulcro é defender o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo! E disso São José foi gloriosamente encarregado, tornando-se o cavaleiro-modelo na proteção do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

São José: O herói da confiança


Consideremos, por exemplo, a tremenda provação que sobre ele se abateu, logo no início de seu matrimônio com Maria Santíssima.
No Antigo Testamento, a maior ventura que podia almejar um judeu era a de ser contado entre os ancestrais do Messias. Em vista disso, a imensa maioria do povo eleito procurava contrair matrimônio e ter filhos, não sendo raro considerar-se a esterilidade como um sinal de desprezo e opróbrio.
Mas, São José, movido pela graça, não quisera se casar, a fim de conservar a virgindade. Levava ele sua tranqüila vida de homem casto e puro, quando, inesperadamente, recebe uma convocação: todos os descendentes diretos de David deviam comparecer diante de uma Virgem chamada Maria, a fim de se poder escolher um marido para Ela.
Obediente, São José se apresenta ao lado de seus parentes, confiando na voz da graça que o fizera abraçar a virgindade. No seu íntimo, alimentava a certeza de que o escolhido seria outro.
Como naquele tempo se viajava com o apoio de um bordão, todos se apresentaram com o seu. O sacerdote encarregado da cerimônia determinou: aquele em cujo bastão desabrochar uma flor, este será o eleito para se unir a Maria.
São José olha para seu cajado... e nele vê aparecer uma flor! Evanesceram de súbito todos os seus anseios de virgindade. Como será agora? Ele confia. É um milagre que o obriga a se casar com Maria. Entretanto, no fundo de sua alma, quer continuar virgem!
Sereno e corajoso, aceita a disposição divina.
Entra em confabulação com a jovem e descobre que Ela também fizera voto de virgindade. A dificuldade parecia estar resolvida: ambos se manteriam intactos. Que felicidade! Seus anelos permaneciam vivos. Com o passar dos dias, ele percebe a incomparável riqueza de alma dessa Virgem que foi posta no seu lar. Pensa: “Protegê-La-ei magnificamente. Aqui estou para defendê-La no esplendor de sua personalidade contra toda espécie de ataques.”
Em determinado momento, porém, o impensável acontece: ele nota que a Virgem está à espera de um Filho. No espírito de São José se estabelece a perplexidade.
Ele não podia entender o que se passava, depois de tantos milagres... O florescimento do bordão, o encanto com que os dois se comunicaram o recíproco desejo da perpétua virgindade, a alegria de alma que então sentiram: “É claro! Deus nos colocou no mesmo caminho. Ele prometeu e está cumprindo a promessa!”
Mas, agora, o incompreensível...
São José passa por uma inenarrável provação, e Nossa Senhora também, uma vez que Ela percebia em toda a medida o sofrimento de seu esposo. Angústia tanto mais intensa quanto ele sabia ser impossível uma traição da parte d’Aquela Virgem incomparável. Ora, pela lei judaica, se uma esposa prevaricasse, o marido tinha a obrigação de expulsá-la do seu lar.
Mas São José tinha a certeza de que Maria não havia cometido nenhum pecado.
Não querendo tomar uma atitude injusta em relação a essa Virgem tão santa, e não sendo capaz de encobrir aquela situação irremediável, São José resolve deixar despercebido a casa de Nazaré. Antes da longa jornada que o esperava, resolveu descansar para reparar suas forças. Na madrugada seguinte ele partiria, levando simplesmente seu bordão, um pouco de comida e o fardo de uma grande incógnita, mais pesada que o Monte Evereste: Como se passou isto? Meu Deus, meu Deus... eu confio na vossa promessa!
Apesar da aflição, tinha a alma tão confiante e tão serena que adormeceu. E, ao dormir, sonhou. No sonho teve esta recompensa: Deus lhe comunicou que aquela Criança formada no claustro virginal de Maria era o Verbo Encarnado, Filho do Divino Espírito Santo.
Quando São José despertou, a paz reinava na sua alma. E Nossa Senhora, ao ver o semblante luminoso de seu esposo, soube que a provação dele havia cessado.

Porque foi um herói da confiança, São José recebeu a maior e mais extraordinária missão que um homem teve na Terra. Ele era o consorte da Virgem Mãe, d’Aquela que daria à luz o Homem-Deus e Redentor do mundo. Nisto florescia a promessa de virgindade que lhe fora feita. Tudo se cumprira além do inimaginável.

sábado, 17 de setembro de 2016

São José: Excelências de príncipe e operário

Para se traçar o verdadeiro perfil moral do chefe da Sagrada Família, seria preciso saber interpretar a Divina Face do Santo Sudário de Turim e, à maneira de suposição, deduzir algo da personalidade de quem foi o educador daquele semblante que ali está, e o esposo da Mãe d’Ele.
Casado com Aquela que é chamada de o “Espelho da Justiça”, pai adotivo do “Leão de Judá”, São José devia ser um modelo de fisionomia sapiencial, de castidade e de força. Um homem firme, cheio de inteligência e critério, capaz de tomar conta do Segredo de Deus. Uma alma de fogo, ardente, contemplativa, mas também impregnada de carinho.
Descendia da mais augusta dinastia que já houve no mundo, isto é, a de David. Segundo São Pedro Julião Eymard, Fundador da Congregação dos Padres Sacramentinos, os judeus reconheciam em São José o homem com direito ao trono real, caso a monarquia legítima fosse restaurada na Terra Santa. Direito este que Nosso Senhor Jesus Cristo herdou de seu pai legal, e por isso foi aclamado como “o filho de David”, quando entrou em Jerusalém. Ou seja, não era um descendente qualquer do Rei Profeta, mas o primogênito pretendente ao trono. E São José era o varão por meio de quem esta dignidade se transferiu para o próprio Filho de Deus.
Quis a Providência nobilitar a classe operária, fazendo com que o pai adotivo de Jesus fosse também trabalhador manual, exercendo o ofício de carpinteiro. Desse modo, São José reunia em si os dois extremos da escala social na harmonia interior da santidade e da pessoa dele. Estava no ápice como príncipe da Casa de David, mas era um príncipe empobrecido, que tirava do seu labor artesanal o sustento da Sagrada Família.
Como operário, soube ser humilde e tributar o devido respeito aos que lhe eram superiores. Como príncipe, conhecia também a missão de que estava imbuído, e a cumpriu de forma magnífica, contribuindo para a preservação, defesa e glorificação terrena de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em suas mãos confiara o Padre Eterno esse Tesouro, o maior que jamais houve e haverá na História do universo! E tais mãos só podiam ser as de um autêntico chefe e dirigente, um homem de grande prudência e de profundo discernimento, bem como de elevado afeto, para cercar da meiguice adorativa e veneradora necessária o Filho de Deus humanado.

Ao mesmo tempo, um homem pronto para enfrentar, com perspicácia e firmeza, qualquer dificuldade que se lhe apresentasse: fossem as de índole espiritual e interior, fossem as originadas pelas perseguições dos adversários de Nosso Senhor.

domingo, 12 de junho de 2016

São José: O único homem à altura de Jesus e Maria

Eleita pela Santíssima Trindade para ser a Mãe Admirável do Verbo Encarnado, Nossa Senhora é a mais perfeita de todas as meras criaturas. Mesmo se considerássemos, num só conjunto, as excelências dos Anjos, dos Santos e dos homens que existiram, existem e existirão até o fim do mundo, não teríamos sequer uma pálida ideia das celestes perfeições de Maria, que reluziram aos olhos de Deus desde o primeiro instante de sua Imaculada Conceição.
Para cumprir os eternos desígnios da Divina Providência no tocante à Redenção da humanidade, foi preciso que, em determinado momento, essa criatura excelsa contraísse legítimo matrimônio. Assim poderia Ela, sem detrimento de sua reputação, conceber miraculosamente e dar à luz o Filho do Altíssimo.
Ora, entre esposo e esposa deve haver certa proporcionalidade: não pode um ser por demais superior ao outro. Era necessário, portanto, surgir um homem que, por seu amor a Deus, por sua justiça, pureza, sabedoria, enfim, por todas as suas qualidades, estivesse à altura daquela augusta Esposa.
Mais ainda. É também conveniente que o pai seja proporcionado ao filho. Por isso, era preciso que esse mesmo varão, com toda a dignidade, arcasse com a honra de ser o pai adotivo do Verbo feito carne.
E houve um único homem criado para essa sublime missão, um homem cuja alma recebeu do Pai Eterno todos os adornos e predicados que o colocassem inteiramente à altura de seu chamado. Esse homem, entre todos escolhido por estar na proporção de Nossa Senhora e de Nosso Senhor Jesus Cristo, foi São José.
A ele coube essa glória, esse píncaro inimaginável de ser esposo da Virgem-Mãe e pai legal do Menino Jesus. Como legítimo consorte de Nossa Senhora, possuía São José plenos direitos sobre o Fruto das imaculadas entranhas d’Ela, embora este Fruto houvesse sido engendrado pelo Espírito Santo. Quer dizer, sem contar a própria maternidade divina, não se pode conceber vocação mais extraordinária! É uma grandeza inconcebível.
Pensemos, por exemplo, nos momentos em que São José trouxe em seus braços o Menino Jesus, ou naqueles em que ele O viu praticar os atos da vida comum na santa casa de Nazaré, ou ainda nas horas em que O contemplou imerso nos colóquios com o Padre Eterno... Consideremos quão puros deviam ser seus lábios, e quão insondável a sua humildade para conversar com o Divino Infante, responder às perguntas d’Ele ou Lhe dar um conselho, quando solicitado. Um simples ser humano, formado e plasmado pelas mãos do Criador, ensinando a Deus!
Pensemos, ainda, no trato repassado de elevação e respeito entre São José e Nossa Senhora, quando Ela se ajoelhava diante dele para o servir. Ele vê aquela Criatura, que é o Céu dos Céus, inclinada à sua frente, e aceita seus préstimos. Como se tal não bastasse, a Esposa também se aconselha com ele, troca opiniões e acata suas ordens.

Numa palavra, ele era o homem que tinha bastante sabedoria e pureza para governar a Deus e a Virgem Maria. Então se compreende quão inimaginável é a grandeza de São José!
Continua.

domingo, 16 de março de 2014

FESTA DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO

CONCLUSÃO DOS COMENTÁRIOS AO EVANGELHO SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO 
Em corpo e alma na glória do Céu
São Francisco de Sales sustenta a tese. de que quando Cristo ressuscitou, São José também recuperou seu corpo para entrar no Paraíso junto com as almas de todos os justos que nesse momento foram libertadas do Limbo e alcançaram a visão beatífica. “E se é verdade, o que devemos acreditar, que em virtude do Santíssimo Sacramento que recebemos nossos corpos ressuscitarão no dia do Juízo, como poderíamos duvidar que Nosso Senhor tenha feito subir ao Céu, em corpo e alma, o glorioso São José que teve a honra e a graça de levá-Lo em seus benditos braços, nos quais Nosso Senhor tanto secomprazia?”13
Em favor disso argumentam ainda outros santos e doutores,14 apoiando-se na estreita intimidade que uniu a Sagrada Família aqui na Terra. Se Jesus e Maria subiram em corpo glorioso ao Céu, não é compreensível que não esteja lá também São José, pois o próprio Nosso Senhor afirmou: “Não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 6; Mc 10, 9). Por conseguinte, segundo uma forte corrente teológica, dado que esta união é querida por Deus, há três pessoas em corpo e alma na bem-aventurança eterna, antes mesmo da ressurreição final no último dia: Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José.
Ao considerarmos, admirados, a figura de São José e a elevação inimaginável de sua vocação — a ponto de ser impossível cogitar outra mais alta —, vemos que ele está tão acima da nossa condição que o julgamos na mesma proporção de Maria. Cabe, pois, perguntar: acaso foi ele concebido sem pecado original? Até hoje o Magistério da Igreja não afirmou o contrário de ma neira definitiva, razão pela qual podem ser feitas considerações teológicas favoráveis a tal hipótese.
ACORRAMOS A SÃO JOSÉ!
Ante os horizontes grandiosos que a contemplação amorosa da figura de São José nos descortina, podemos centrar agora nossa atenção em sua missão de Patriarca da Igreja e protetor de toda a ação dela. Qual é essa ação? Distribuir as graças como administradora dos Sacramentos, que tornam efetivo o desígnio de salvação de Cristo. A Igreja, no seu nascedouro, reduzia-se a Jesus e a Maria, que obedeciam a São José como Patriarca e chefe da Sagrada Família. Essa relação entre Filho e pai se mantém na eternidade, de modo que Nosso Senhor atende com particular benevolência aos pedidos feitos por São José.
Em nossos dias encontramo-nos em uma situação de decadência moral terrível, talvez pior do que aquela na qual viviamos homens quando Nosso Senhor Jesus Cristo. Se encarnou e São José recebeu as primIcias da Igreja em suas mãos, O mundo inteiro está imerso no neopaganismo; os crimes e abominações que se cometem hoje são, às vezes, piores que os da Antiguidade. Mas tal como nos seus primórdios a Igreja propagou a Boa-nova do Evangelho e deu início a uma era de graças purificadoras e santificadoras da sociedade, também podemos ter a certeza firme e inabalável de que eia triunfará sobre o mal em nossos dias. Por isso, a Solenidade de São José é o dia especialíssimo para abrir nossos corações à devoção a este tão grande Santo, na certeza de sermos bem conduzidos, bem tratados e bem amparados. E valendo-nos de seu poderoso auxílio, devemos pedir-lhe, enquanto Patriarca da Igreja, que intervenha nos acontecimentos, obtendo de Jesus a renovação da face da Terra.
1) Cf. ALASTRUEY, Gregorio. Tratado de la Virgen Santísima. 4.ed. Madrid: BAC,1956, p.841.
2) Cf. SAO TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica. I, q.50, a.1, ad 1. 4
3) Cf. CLA DIAS, EP, João Scognamigijo. Dois silêncios que mudaram a História. In: Arautos do Evangelho. São Paulo. N.108 (Dez., 2010); p.10-17;
4) AUTOR INCERTO. Opus impetfectum in Matthæum. Hom.I, c.1: MG 56, 633.
5) Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. In IV Sent. D.30, q.2, a.2, ad 5.
6) DE ISOLANO, OP, Isidoro. Suma de los dones de San José. II, c.11. In: LLAMERA, OP, Bonifacio Teología de San José. Madrid: BAC, 1953, p.484-485.
7) Cf. SAO TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica. III, q.31, a.2.
8) TUYA, OP, Manuel de; SALGUERO, OP, José. Introducción a la Biblia. Madrid: BAC, 1967, vIl, p.316.
9) SÃO FRANCISCO DE SALES. Entretien XIX. Sur les vertus de Saint Joseph. In: OEuvres Complètes. Opuscules de spiritualité Entretiens spirituels. 2.ed. Paris: Louis Vivès, 1862, t.III, p.54 1.
10) Cf. LLAMERA, op. cit., p.129-139.
11) SAO TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica. III, q.27, a.4.
12) SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ. Oração do Dia. In: MISSAL ROMANO. Trad. Portuguesa da 2a. edição típica para o Brasil realizada e publicada pela CNBB com acréscimos aprovados pela Sé Apostólica. 9.ed. São Paulo: Paulus, 2004, p.563.
13) SÃO FRANCISCO DE SALES, op. cit., p.546.
14) Cf. SAO BERNARDINO DE SENA. Sermones de Sanctis. De Sancto Joseph Sponso Beatæ Virginis. Sermo I, a.3. In: Sermones Eximü. Veneza: Andreæ Poletti, 1745, t.IV, p.235; DE ISOLANO, op. cit., IV, c.3, p.629-630.


sábado, 15 de março de 2014

SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO

COMENTÁRIOS AO EVANGELHO SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO 
GRANDEZA DE SÃO JOSÉ À LUZ DO EVANGELHO
Nestes breves versículos torna-se patente o quanto São José é pai legal de Nosso Senhor, pois o santo Patriarca exerceu de fato esse encargo, a ponto de, no Evangelho de São Lucas, Maria mencionar José como sendo pai de Jesus, ao encontrá-Lo no Templo: “Eis que teu pai e Eu andávamos à tua procura, cheios de aflição” (Lc 2, 48).
Com efeito, o matrimônio realizado entre Nossa Senhora e São José foi inteiramente válido, segundo a Lei. E como todo casamento, por ser um contrato bilateral, dependia da anuência de ambos. E também uma verdade admitida por todos os Padres e teólogos que tanto Maria como José estiveram vinculados a um voto de virgindade. Decerto, Ela lhe terá comunicado esse propósito que fizera e ele o aceitou, pois também terá feito o mesmo voto, pelo que os dois concordaram em mantê-lo dentro do matrimônio. Portanto, Ela foi Virgem com o conhecimento e o consentimento de seu esposo, ficando ligados de livre e espontânea vontade a esse compromisso.
Como sabemos, segundo a Lei antiga o varão tornava-se dono de sua esposa, de modo que “a mulher israelita costumava chamar seu marido com os termos ba’al — ‘amo’ e ‘adôn — ‘senhor’, como faziam os escravos com seu dono e o súdito com seu rei”.8 A partir do momento em que ambos se uniram, SãoJosé tornou-se senhor de Maria e, em consequência, senhor de todo o fruto d’Ela. São Francisco de Sales explica esta situação por meio de uma bela alegoria: “Se uma pomba [...] leva em seu bico uma tâmara e a deixa cair num jardim, não diríamos que a palmeira que vier a nascer pertence àquele de quem é o jardim? Ora, se isto é assim, quem poderá duvidar que o Espírito Santo, tendo deixado cair essa divina tâmara, como uma divina pomba, no jardim encerrado e fechado da Santíssima Virgem (jardim selado e rodeado por todos os lados pelas cercas do santo voto de virgindade e castidade toda imaculada), a qual pertencia ao glorioso São José, como a mulher ou esposa pertence ao esposo, quem duvidará, digo, ou quem poderá dizer que essa divina palmeira, cujos frutos alimentam para a imortalidade, não pertence ao grande São José?”.9
Para a Encarnação era indispensável Nossa Senhora conceber dentro das aparências de um casamento humano, a fim de não criar uma situação incompreensível, que dificultasse a missão do Messias. Logo, a gestação de Jesus no seio de Maria Santíssima tinha em José o selo da legalidade, de forma a garantir que o Menino viesse ao mundo em condições de normalidade familiar, a fim de operar a Redenção da humanidade.
O “fiat” de São José
Esta prerrogativa de São José, da paternidade legal do Menino, brilha ainda com maior fulgor quando constatamos que, sendo seu o fruto de Maria, ele poderia ter recusado o convite do Anjo no sonho, mas não o fez. Desse modo, paralelamente ao “Fiat!” de Nossa Senhora em resposta a São Gabriel no momento da Anunciação, também ele pronunciou outro fiat sublime, ao aceitar, pela fé, ser pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Uma vez que ele consentiu em manter o estado de virgindade e aceitou o mistério da concepção do Menino Jesus em Maria, São José deve ser considerado, ademais, pai virginal do Redentor, pois teve uma grande ligação com a Encarnação, embora extrínseca. Ele foi necessário para que houvesse a união hipostática, e foi vontade de Deus que também participasse desta ordem hipostática, de forma extrínseca, moral e mediata.10
Um esposo à altura de Nossa Senhora
Feitas essas considerações, lembremo-nos de outro princípio enunciado por São Tomás de Aquino: “Aqueles que foram eleitos por Deus para alguma coisa, Ele os prepara e dispõe de modo que sejam idôneos para desempenhar a missão”.11 De fato, desde toda a eternidade, São José esteve na mente de Deus com a vocação de ser chefe da Sagrada Família e para tal foi criado. Como diz a Oração do Dia da Santa Missa desta Solenidade, a ele foram confiadas “as primIcias da Igreja”.12 E teve sob sua custódia estas primIcias, que foram o Menino Jesus e Nossa Senhora. Devemos concluir, então, que São José recebeu graças específicas para estar à altura de sua missão de esposo e guardião de Maria Santíssima, bem como de pai legal e atribuído de Jesus Cristo, ou seja, pai de Deus.
Modelo de humildade
Entretanto, o que transparece acerca da personalidade de São José nos Evangelhos? Não consta que fosse falador, espalhafatoso ou demasiado comunicativo. Pelo contrário, à semelhança de Maria, José destacava-se pela seriedade, recato e despretensão. Certamente seguia uma rotina com horas marcadas para todos os seus deveres e uma aplicação ao trabalho notável pela constância.
Eis um exemplo do quanto Deus ama essas virtudes e escolhe para as grandes missões os que as praticam. Para conviver com Jesus e proteger todo o ambiente no qual Ele habitaria, a fim de realizar a mais alta obra de toda a História da criação, a Providência preferiu dois, uma dama e um varão, que fossem recolhidos, apagados e humildes...
São José, patrono da confiança e da boa morte
São José é também um impressionante modelo da virtude da confiança. Ele aceitou todas as incertezas que sua missão acarretava — como constatamos, por exemplo, no episódio da fuga para o Egito (cf. Mt 2, 14) —, pois é de se supor que, com relação ao atendimento das necessidades materiais e concretas da vida, a Providência não interviesse de forma direta, e deixasse essa responsabilidade aos cuidados dele. Portanto, era ele que tinha de garantir o sustento da Sagrada Família. A ele se aplica, de maneira especial, a belíssima frase empregada mais tarde por Nosso Senhor para indicar a razão do prêmio a ser dado aos justos, no fim do mundo: “tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes” (Mt 25, 35-36).
Do mesmo modo que Nossa Senhora recebeu a revelação dos padecimentos que o Salvador deveria sofrer na Terra para operar a Redenção, sem dúvida, também São José teve noção do que ia acontecer e assumiu todos os dramas e dores de Jesus e de Maria. Inflamado de amor por Jesus, seu grande desejo era de continuar neste mundo para proteger sua esposa virginal em todas as circunstâncias. Deus, porém, resolveu levá-lo antes de Jesus iniciar sua vida pública. Quiçá porque ele não toleraria presenciar todas as perseguições e tormentos da Paixão, e, enquanto varão, teria de manifestar seu desacordo com o plano da morte de Cristo e tomar a defesa d’Ele. Faria isso com tal ímpeto de zelo que talvez impossibilitasse que a Paixão chegasse a seu termo.

Ao abandonar esta vida, São José morreu nos braços de seu Divino Filho. Seus olhos apagaram-se para a contemplação de Deus-Homem no tempo e, abrindo-se para a eternidade, viram Jesus sorridente, que o deixou no Limbo dos Justos, para ser colhido no dia em que Ele descerrasse as portas do Céu.

sábado, 31 de março de 2012

Espírito de respeito às regras


“Por ser da família e descendência de Davi, São José subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia, até a cidade de Davi, chamada Belém, na Judéia, para registrarse com Maria, sua esposa, que estava grávida”.

Sendo de estirpe real, José deveria apresentar-se com sua esposa na cidade de seus ancestrais. Era necessário caminhar uns 150 quilômetros, distância que separava Nazaré de Belém por aquelas estradas.

Não haviam ainda os romanos posto em prática toda a sua capacidade organizadora no tocante à rede de comunicação de seu Império. É verdade que já estavam construindo, na região de Roma, ótimas estradas, levantavam pontes e viadutos sólidos, mas os caminhos da Palestina não haviam sido endireitados e pavimentados até então.

Eram vias ricas de aspectos pitorescos, mas quão tortuosas, esburacadas e arriscadas! .oi por este cenário agreste que se aventuraram José e Maria durante alguns dias. .elizmente, por estarem num período de recenseamento, por todo percurso encontravam uma multidão de pessoas, diminuindo de certo modo os perigos. Apesar disso não deixava de ser um deslocamento penoso.

Não consta que José e Maria hajam se queixado de algo. Submeteram-se docilmente às determinações, por serem fiéis ao princípio da autoridade, criado por Deus e posto em prática na legislação. Não se tratava de uma ordem criminosa nem injusta; logo, devia ser obedecida. 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Humildade de São José


Depois de Maria Santíssima, São José foi o mais elevado expoente de virtudes da humanidade. Brilha nele a chama da caridade. Um intenso amor de Deus, uma espiritualidade e uma vida interior admiráveis fazem de sua alma objeto da complacência da Santíssima Trindade.

Este homem humilde foi chamado a participar de acontecimentos dos quais decorreram os mais notáveis fatos da história do mundo. Pela sua admirável correspondência à graça, São José colaborou de modo eminente no plano divino da Redenção e, desse modo, é merecedor de grande parcela da glória que, legitimamente, cabe ao Divino Salvador, pela imensidade de benefícios com que nos cumulou.

sexta-feira, 16 de março de 2012

São José - Constante contemplador de Jesus e de Maria


Sim, leitor, como imagina você a figura majestosa e paternal de São José?

Segundo São Tomás de Aquino, todas as criaturas existentes no universo poderiam ter sido criadas por Deus de modo mais perfeito, exceto três: Jesus Cristo, a Virgem Maria e a visão beatífica. Jesus, sendo Deus, não podia ter a mínima imperfeição. Para ser sua Mãe, é natural que Ele escolhesse a criatura humana mais perfeita possível. Deste modo, se somarmos as perfeições de todos os Anjos e de todos os Santos, teremos apenas uma ideia pálida das riquezas sobrenaturais que adornam a alma de Maria.

Mas Deus não iria escolher para esposo de sua Mãe Virginal, para seu pai adotivo, alguém que não estivesse à altura de tal missão. Tinha de ser um homem proporcionado a essa esposa, pelo seu amor de Deus, pela sua justiça, pela sua pureza, por sua sabedoria, por todas as qualidades. Esse homem é São José.

Ambos eram da Casa de David. Talvez até tivessem certa semelhança física, entre si. E não é inverossímil imaginar São José com alguns traços fisionômicos do Rei Profeta, seu glorioso antepassado, do qual diz a Sagrada Escritura: “louro, de belos olhos e mui formosa aparência (...) valente e forte, fala bem, tem um belo rosto, e o Senhor está com ele” (I Sam 16, 12 e 18).

Sob o ponto de vista sobrenatural, São José alcançou o mais alto píncaro da santidade e não pode ter deixado de praticar a devoção a Nossa Senhora no grau mais perfeito, e participar das virtudes altíssimas de sua esposa virginal. Sua vida foi uma constante contemplação de Maria e de Jesus. Por isso ele pode ser considerado o padroeiro e modelo das almas contemplativas e dos devotos de Maria.

quinta-feira, 8 de março de 2012

São José e a fecundidade da vida interior

A ignorância religiosa em que vivemos tem produzido, entre outros efeitos nocivos, o desvirtuamento inteiro do significado real de algumas determinações da Igreja, que, quando mal interpretadas, são inteiramente estéreis de frutos espirituais, e quando bem compreendidas, são férteis em graças e proveitos de toda ordem.

São José, modelo de todas as grandes virtudes

É o que se dá, por exemplo, em relação ao culto de São José que, proposto pela Igreja como modelo dos chefes de família e dos operários, é também, pelo imenso acervo de virtudes com que foi enriquecido pela graça, modelo ideal de todas as grandes virtudes católicas.

A maioria dos católicos, porém, não pensa seriamente em tomar São José como seu modelo. De um lado, a imensa santidade do pai [jurídico] de Jesus, a quem a Igreja cultua com a suprema dulia, parece um ideal absolutamente inatingível. De outro lado, a fraqueza humana de que nos sentimos repletos, solicitada por toda sorte de inclinações, nos afasta por tal forma de qualquer ideal espiritual, que julgamos muito já ter feito quando nos libertamos do jugo do pecado mortal e venial, e vivemos uma vida espiritual estacionária, relativamente suave, pois que se limita à conservação do terreno conquistado, mas inteiramente estéril para a Igreja e para a maior glória de Deus.

Em busca da perfeição espiritual

A Igreja certamente não pretende que seus filhos igualem em glória e em virtude aquele que, depois de Maria Santíssima, foi o mais elevado expoente de virtudes da humanidade.

Por outro lado, porém, ela não quer de modo algum que limitemos nossos horizontes espirituais a uma vida piedosa banal, amesquinhada pela errônea ilusão de que seria falta de humildade aspirar-se à santidade que brilhou no gênio de São Tomás, na combatividade de Santo Inácio, no recolhimento de Santa Teresa e na caridade de São Francisco.

A Igreja desmascara esta falsa humildade, apontando nela, ou um pretexto especioso da covardia espiritual, ou uma concepção orgulhosa da virtude, considerada mais como fruto do esforço humano do que da misericórdia de Deus. E, ao mesmo tempo, ela se serve do exemplo de seus grandes santos para “levantar ao alto” nossos corações, indicando-nos que a única preocupação real desta vida, o único problema verdadeiramente importante de nossa existência, é a aquisição daquela perfeição espiritual que será o único patrimônio que conservaremos, a despeito das crises financeiras, das comoções sociais e da fragilidade das coisas humanas, para, finalmente, transpormos com ele os próprios umbrais da eternidade.

É disto exemplo frisante o grande São José.

Nascido de família ilustre, arrasta, no entanto, uma existência obscura que, contrastando com o brilho de seu nome, o colocou na mais baixa camada da sociedade de seu tempo. Escasseiam-lhe os dotes naturais com que os homens se fazem grandes. Não dispõe de exércitos nem de súditos, que levem ao longe a glória de seu nome. Não dispõe do dinheiro com que galgar às altas posições. Vive humilde e desprezado, à sombra do Templo majestoso, e no próprio país em que reinara a sabedoria de Salomão.

No entanto, brilha nele a chama da caridade. Um intenso amor de Deus, uma espiritualidade e uma vida interior admiráveis fazem de sua alma objeto da complacência da Santíssima Trindade, e este homem humilde é chamado a co-participar de modo direto em acontecimentos dos quais decorreriam os mais notáveis fatos da história do mundo

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

São José, homem humilde

Depois de Maria Santíssima, São José foi o mais elevado expoente de virtudes da humanidade. Brilha nele a chama da caridade. Um intenso amor de Deus, uma espiritualidade e uma vida interior admiráveis fazem de sua alma objeto da complacência da Santíssima Trindade.
Este homem humilde foi chamado a participar de acontecimentos dos quais decorreram os mais notáveis fatos da história do mundo. Pela sua admirável correspondência à graça, São José colaborou de modo eminente no plano divino da Redenção e, desse modo, é merecedor de grande parcela da glória que, legitimamente, cabe ao Divino Salvador, pela imensidade de benefícios com que nos cumulou.

sábado, 29 de outubro de 2011

Quem foi São José?

Para se formar uma ligeira idéia de quem foi São José, dever-se-ia tomar a Divina Face do Santo Sudário de Turim e deduzir, à maneira de suposição, a fisionomia moral do homem escolhido para ser o pai adotivo de Quem tem aquele rosto sagrado, do homem que foi o esposo da Mãe d’Ele, Aquela que era a sede da Sabedoria e o espelho da Justiça.
Pai do Leão de Judá e consorte de Nossa Senhora, São José teria de ser um modelo de fisionomia sapiencial, modelo de castidade e de força. Um varão de santidade inimaginável, a quem coube a sublime missão de governar o Filho de Deus e a Santíssima Virgem.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

As cinco dores de São José

A Igreja venera as cinco grandes dores de São José, mas ensina que a cada dor corresponde uma imensa alegria que Deus lhe enviou. A primeira dor consistiu em ver o Menino Jesus nascer numa pobre gruta, correspondente à alegria de ver os anjos, pastores e Magos que vieram adorá-Lo. A segunda lhe adveio na apresentação de Jesus no Templo, quando o profeta Simeão proclamou que uma espada de dor traspassaria o coração de Maria, justapondo-se à alegria de ouvir, ao mesmo tempo, que o Menino seria a luz das nações e a glória de Israel. A terceira dor foi a fuga para o Egito e as provas do caminho, seguida da alegria de ver crescer em graça e santidade o Divino Infante. A quarta se deu com a perda do Menino Jesus em Jerusalém e a angústia de buscá-Lo por três dias, correspondendo à alegria de encontrá-Lo no Templo e tê-Lo em casa por muitos anos. Por fim, a quinta dor foi separar-se de Jesus e de Maria na hora de sua morte, tendo a alegria e o consolo de morrer assistido por Eles, tornando-se assim o Patrono da Boa Morte.
Não se sabe exatamente quando morreu São José, mas a Igreja considera que tenha sido antes de iniciar-se a vida pública de Nosso Senhor, pois nas Bodas de Caná Ele estava apenas em companhia de sua Mãe.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O Homem escolhido por Deus

De todas as gloriosas palavras sobre São José, outras não dizem tanto quanto a simples afirmação de que foi esposo de Nossa Senhora e pai legal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois Deus, tão magnificente no predestinar, modelar e cumular de graças a Mãe do Verbo Encarnado, se-lo-ia menos no escolher e formar o homem destinado por Ele a ser esposo dessa Virgem Mãe e pai jurídico desse Filho? 

(Plinio Correa de Oliveira)

sexta-feira, 11 de março de 2011

O varão a quem Deus chamou de pai

Deus escolhe sempre o mais belo
Deus Todo-Poderoso, para quem “nada é impossível” (Lc 1, 37) e que tudo governa com sabedoria infinita, possui algo que poderíamos chamar de sua “única limitação”: ao criar, Ele nada pode escolher de menos belo e perfeito, ou que não seja para sua glória. Desde toda a eternidade, ao determinar a Encarnação do Verbo, quis o Pai que — apesar das aparências de pobreza e humildade através das quais Se mostraria, e que contribuiriam para sua maior exaltação — a vinda de seu Filho ao mundo se revestisse da suprema pulcritude conveniente a Deus. Assim, dispôs que Ele fosse concebido por uma Virgem, concebida por sua vez sem pecado original, unindo em Si as alegrias da maternidade à flor da virgindade. Porém, para completar o quadro, tornava-se necessária a presença de alguém que projetasse na terra a própria “sombra do Pai”. Para tal missão Deus destinou José, ao qual poderíamos aplicar as palavras da Escritura, referindo-se a seu antepassado Davi: “O Senhor escolheu para Si um homem segundo o seu coração” (1 Sm 13, 14).
Varão justo por excelência
Levando em conta o axioma latino: “ne-mo summus fit repente” e o acertado dito de Napoleão: “a educação de uma criança começa cem anos antes de ela nascer”, é provável que, em atenção à sua missão e ao seu papel de educador junto ao Menino-Deus, José tenha sido santificado já no seio materno, como o foi João Batista no ventre de Santa Isabel. Essa tese é defendida por diversos autores e pode sintetizar-se nas palavras de São Bernardino de Sena: “Sempre que a graça divina escolhe alguém para algum favor especial ou para algum estado elevado, concede-lhe todos os dons necessários à sua missão; dons que a ornam abundantemente”.

O louvor de José, tal como o Evangelho no-lo traça, encerra-se numa única e breve frase: era justo. Tal elogio, à primeira vista de um laconismo desconcertante, nada tem de medíocre. Na linguagem bíblica, o adjetivo “justo” designa todas as virtudes reunidas. No Antigo Testamento, justo é aquele a quem a Igreja dá o nome de santo: justiça e santidade exprimem a mesma realidade.
Ao serrar a madeira, fabricar um móvel ou um arado, José mantinha sempre seu espírito voltado para o sobrenatural, elevando-se para o aspecto mais sublime das coisas e considerando tudo sob o prisma de Deus. Suas atitudes refletiam a seriedade e a altíssima intenção com a qual sempre agia, e isso contribuía para o maior primor dos trabalhos por ele executados. Sua humilde condição de trabalhador manual em nada lhe diminuía a nobreza. Reunia em si, de forma admirável, as duas classes sociais: como legítimo herdeiro do trono de Davi, conservava em seu porte e semblante a distinção e a elegância próprias a um príncipe, aliando-as, porém, a uma alegre simplicidade de caráter. Para ele, mais importante do que a nobreza de sangue é aquela que se alcança pelo brilho da virtude; e esta, ele a possuía largamente.
A Providência, entretanto, o destinava a alcançar a mais alta honra que se possa dar a uma criatura concebida no pecado original e o colocava em desproporção com todo o restante dos homens. Diz São Gregório Nazianzeno: “O Senhor conjugou em José, como num sol, tudo quanto os outros santos têm, em conjunto, de luz e de esplendor”. Todas as glórias acumulam-se neste varão incomparável, cuja existência terrena transcorre dentro de uma sublimidade ignorada por seus conhecidos e compatriotas, num silêncio e apagamento quase completos.
Admirável consonância entre duas almas virgens

No Antigo Testamento, a virgindade ainda não adquirira o prestígio do qual passou a gozar na Era Cristã. Muito pelo contrário, quem não constituísse família, ou se visse impossibilitado de gerar filhos, era considerado maldito por Deus. “A espera do Messias dominava a tal ponto os espíritos, que o desprezo do casamento equivalia a uma recusa desonrosa de contribuir para a vinda d’Aquele que havia de restaurar o reino de Israel” (1). De acordo com a opinião generalizada, José, movido por uma especial moção do Espírito Santo, decidira permanecer virgem por toda a vida. Porém, não querendo singularizar-se, contrariando os costumes de seu tempo, resignara-se a contrair matrimônio, convencido de que o Senhor,tendo lhe inspirado esse bom propósito, o ajudaria a levá-lo a cabo.
 Cedendo, pois, às exigências sociais, resolveu pedir a mão de Maria, a qual ele provavelmente já conhecia, pois ambos pertenciam à mesma tribo e habitavam na mesma aldeia. Tudo indica que naquela época os pais de Maria haviam falecido e Ela vivia sob a tutela de algum parente. Sem levar em conta a opinião da jovem, seu tutor apenas Lhe comunicou ter aceito o pedido de um pretendente a ser seu marido.
 É sabido que Maria, desde a infância, consagrara ao Senhor sua virgindade. Entretanto, acostumada a obedecer, inclinou-Se ante a decisão de seus parentes, acreditando ser essa a manifesta vontade da Providência. Se conservava algum receio, deve este ter-se dissipado quando soube que o escolhido era José, o nobre descendente da estirpe de Davi, em cuja alma Ela já vira, por seu aguçado dom de discernimento, as altíssimas qualidades postas por Deus.
 Antes dos esponsais, Maria precisava dar a conhecer ao seu noivo o voto de virgindade, sob pena de o matrimônio ser nulo. Fê-lo de forma séria e decidida, falando com toda a simplicidade de seu inocente coração. José pensou estar ouvindo uma voz do Céu e reconheceu, emocionado, a mão da Providência atendendo às suas preces. É impossível ter idéia do grau de concórdia dessas duas almas, ao se revelarem mutuamente seus mais íntimos mistérios. Desde esse instante, José passou a ser o modelo perfeito do devoto de Nossa Senhora. Podemos bem imaginar que, já nesse primeiro encontro, a graça o tocou de maneira especial, levando-o a consagrar-se como escravo de amor Àquela que, mais do que esposa, já considerava como Senhora e Rainha.</div>

terça-feira, 4 de março de 2008

São José, o homem cuja fé passou por cima de todas as realidades materiais

Sendo o Mons. João Clá ardoroso devoto de São José, numerosas são suas alusões ao Esposo da Mãe de Deus, durante conversas e reuniões de formação para os Arautos do Evangelho. As palavras abaixo foram colhidas de um comentário feito por ele, a pedido de alguns jovens Arautos, no dia 21 de dezembro de 2006. Nelas o Mons. João Clá apresenta São José como exemplo de fé para todos aqueles que se encontram em situações perplexitantes, nas quais as aparências contradizem a promessa feita por Deus.
[1]São José, o mais santo de todos os homens, não havia entendido o mistério da Encarnação. Então, ia fugir. Um Anjo precisou segurá-lo, dizendo: “Não se assuste, Ela concebeu por obra do Espírito Santo”.
Isto nos conduz a uma perspectiva muito bonita e paradoxal: nós não devemos julgar nada pelas suas aparências. Nós devemos sempre estar penetrando nos arcanos de Deus e de dentro dos olhos de Deus, analisar as coisas. Portanto, ver muito mais o interior do que as aparências, porque no nascimento de Nosso Senhor estas foram inteiramente contrárias a todas as profecias.


Nós temos um casal: Ela, juveníssima, vai dar à luz, mas o marido percebe que o filho não é dele. Ele vê a aparência e está perplexo. São José não procedeu mal, o fato é que ele não recebeu graça suficiente para, ele mesmo, perceber a situação. Por que não recebeu graça suficiente? Porque a Providência queria que ele recebesse uma revelação tão alta — e que não partisse de Nossa Senhora — que exigisse dele um ato de fé, para assim participar daquela maravilha que iria acontecer.

O modo de São José participar, foi passar pela perplexidade. E, no auge da perplexidade, aceitar com humildade, fé e confiança o que o Anjo lhe dizia num sonho. Com isso, ele acabou participando de uma forma profunda da Encarnação e do Nascimento de Nosso Senhor enquanto pai adotivo, pois o fruto da esposa é dele também. Mas, em certo momento, São José teve que passar por cima das aparências. Tendo sido revelado a ele em sonho, ele dobrou os joelhos e disse: “As aparências são contrárias a isso. Mas eu aceito!”

Por que São José aceitou? Porque ele vivia numa perspectiva muito mais sobrenatural do que os fariseus. O que ele aceitou os fariseus não aceitaram.

Portanto, nós devemos fazer de tudo para que as coisas se passem dentro de uma grandeza extraordinária. Mas quando nós empregarmos todos os nossos meios e não conseguirmos dar a nota de grandeza que está no fundo de nossas almas, enquanto visão do sobrenatural, devemos passar por cima das realidades materiais e ver a grandeza sobrenatural que está por detrás.

[1] Extraído de conversa na Casa Mãe dos Arautos do Evangelho, 21 de dezembro de 2006; adaptado à linguagem escrita, publicado sem revisão e conhecimento do autor.