Mostrando postagens com marcador Mons. João Clá Dias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mons. João Clá Dias. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Ó amadíssimo São José

“Dignai-vos, ó amadíssimo São José, aceitar a consagração que de mim mesmo vos faço. A vós me consagro inteiramente, a fim de que sejais sempre meu Pai, meu Protetor, meu Guia no caminho da salvação. Impetrai-me uma grande pureza de coração e grande amor à vida interior. Fazei com que, a vosso exemplo, todas as minhas ações se dirijam para a maior glória de Deus, em união com o Coração Divino de Jesus, com o Coração Imaculado de Maria e convosco. Finalmente rogai por mim a fim de que possa ter parte na paz e alegria que gozastes na vossa santa morte.” 
“E Vós, Senhor, que na vossa inefável providência Vos dignastes escolher o Bem-aventurado José para esposo de vossa Santíssima Mãe, concedei-me propício que mereça ter como intercessor no Céu àquele a quem na Terra venero como meu Protetor.”   

Pe. Thiago Maria Cristini, C. SS. R., “Meditações para todos os dias do ano tiradas das obras de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja”, Herder e Cia., tomo II, págs. 44 - 47, Friburgo em Brisgau, Alemanha, 1921.

quinta-feira, 19 de março de 2015

São José

Ouça a homilia de Mons João Clá Dias, fundador dos Arautos do Evangelho, sobre São José, o pai adotivo do Menino Jesus.

domingo, 16 de março de 2014

FESTA DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO

CONCLUSÃO DOS COMENTÁRIOS AO EVANGELHO SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO 
Em corpo e alma na glória do Céu
São Francisco de Sales sustenta a tese. de que quando Cristo ressuscitou, São José também recuperou seu corpo para entrar no Paraíso junto com as almas de todos os justos que nesse momento foram libertadas do Limbo e alcançaram a visão beatífica. “E se é verdade, o que devemos acreditar, que em virtude do Santíssimo Sacramento que recebemos nossos corpos ressuscitarão no dia do Juízo, como poderíamos duvidar que Nosso Senhor tenha feito subir ao Céu, em corpo e alma, o glorioso São José que teve a honra e a graça de levá-Lo em seus benditos braços, nos quais Nosso Senhor tanto secomprazia?”13
Em favor disso argumentam ainda outros santos e doutores,14 apoiando-se na estreita intimidade que uniu a Sagrada Família aqui na Terra. Se Jesus e Maria subiram em corpo glorioso ao Céu, não é compreensível que não esteja lá também São José, pois o próprio Nosso Senhor afirmou: “Não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 6; Mc 10, 9). Por conseguinte, segundo uma forte corrente teológica, dado que esta união é querida por Deus, há três pessoas em corpo e alma na bem-aventurança eterna, antes mesmo da ressurreição final no último dia: Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José.
Ao considerarmos, admirados, a figura de São José e a elevação inimaginável de sua vocação — a ponto de ser impossível cogitar outra mais alta —, vemos que ele está tão acima da nossa condição que o julgamos na mesma proporção de Maria. Cabe, pois, perguntar: acaso foi ele concebido sem pecado original? Até hoje o Magistério da Igreja não afirmou o contrário de ma neira definitiva, razão pela qual podem ser feitas considerações teológicas favoráveis a tal hipótese.
ACORRAMOS A SÃO JOSÉ!
Ante os horizontes grandiosos que a contemplação amorosa da figura de São José nos descortina, podemos centrar agora nossa atenção em sua missão de Patriarca da Igreja e protetor de toda a ação dela. Qual é essa ação? Distribuir as graças como administradora dos Sacramentos, que tornam efetivo o desígnio de salvação de Cristo. A Igreja, no seu nascedouro, reduzia-se a Jesus e a Maria, que obedeciam a São José como Patriarca e chefe da Sagrada Família. Essa relação entre Filho e pai se mantém na eternidade, de modo que Nosso Senhor atende com particular benevolência aos pedidos feitos por São José.
Em nossos dias encontramo-nos em uma situação de decadência moral terrível, talvez pior do que aquela na qual viviamos homens quando Nosso Senhor Jesus Cristo. Se encarnou e São José recebeu as primIcias da Igreja em suas mãos, O mundo inteiro está imerso no neopaganismo; os crimes e abominações que se cometem hoje são, às vezes, piores que os da Antiguidade. Mas tal como nos seus primórdios a Igreja propagou a Boa-nova do Evangelho e deu início a uma era de graças purificadoras e santificadoras da sociedade, também podemos ter a certeza firme e inabalável de que eia triunfará sobre o mal em nossos dias. Por isso, a Solenidade de São José é o dia especialíssimo para abrir nossos corações à devoção a este tão grande Santo, na certeza de sermos bem conduzidos, bem tratados e bem amparados. E valendo-nos de seu poderoso auxílio, devemos pedir-lhe, enquanto Patriarca da Igreja, que intervenha nos acontecimentos, obtendo de Jesus a renovação da face da Terra.
1) Cf. ALASTRUEY, Gregorio. Tratado de la Virgen Santísima. 4.ed. Madrid: BAC,1956, p.841.
2) Cf. SAO TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica. I, q.50, a.1, ad 1. 4
3) Cf. CLA DIAS, EP, João Scognamigijo. Dois silêncios que mudaram a História. In: Arautos do Evangelho. São Paulo. N.108 (Dez., 2010); p.10-17;
4) AUTOR INCERTO. Opus impetfectum in Matthæum. Hom.I, c.1: MG 56, 633.
5) Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. In IV Sent. D.30, q.2, a.2, ad 5.
6) DE ISOLANO, OP, Isidoro. Suma de los dones de San José. II, c.11. In: LLAMERA, OP, Bonifacio Teología de San José. Madrid: BAC, 1953, p.484-485.
7) Cf. SAO TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica. III, q.31, a.2.
8) TUYA, OP, Manuel de; SALGUERO, OP, José. Introducción a la Biblia. Madrid: BAC, 1967, vIl, p.316.
9) SÃO FRANCISCO DE SALES. Entretien XIX. Sur les vertus de Saint Joseph. In: OEuvres Complètes. Opuscules de spiritualité Entretiens spirituels. 2.ed. Paris: Louis Vivès, 1862, t.III, p.54 1.
10) Cf. LLAMERA, op. cit., p.129-139.
11) SAO TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica. III, q.27, a.4.
12) SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ. Oração do Dia. In: MISSAL ROMANO. Trad. Portuguesa da 2a. edição típica para o Brasil realizada e publicada pela CNBB com acréscimos aprovados pela Sé Apostólica. 9.ed. São Paulo: Paulus, 2004, p.563.
13) SÃO FRANCISCO DE SALES, op. cit., p.546.
14) Cf. SAO BERNARDINO DE SENA. Sermones de Sanctis. De Sancto Joseph Sponso Beatæ Virginis. Sermo I, a.3. In: Sermones Eximü. Veneza: Andreæ Poletti, 1745, t.IV, p.235; DE ISOLANO, op. cit., IV, c.3, p.629-630.


sábado, 15 de março de 2014

SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO

COMENTÁRIOS AO EVANGELHO SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO 
GRANDEZA DE SÃO JOSÉ À LUZ DO EVANGELHO
Nestes breves versículos torna-se patente o quanto São José é pai legal de Nosso Senhor, pois o santo Patriarca exerceu de fato esse encargo, a ponto de, no Evangelho de São Lucas, Maria mencionar José como sendo pai de Jesus, ao encontrá-Lo no Templo: “Eis que teu pai e Eu andávamos à tua procura, cheios de aflição” (Lc 2, 48).
Com efeito, o matrimônio realizado entre Nossa Senhora e São José foi inteiramente válido, segundo a Lei. E como todo casamento, por ser um contrato bilateral, dependia da anuência de ambos. E também uma verdade admitida por todos os Padres e teólogos que tanto Maria como José estiveram vinculados a um voto de virgindade. Decerto, Ela lhe terá comunicado esse propósito que fizera e ele o aceitou, pois também terá feito o mesmo voto, pelo que os dois concordaram em mantê-lo dentro do matrimônio. Portanto, Ela foi Virgem com o conhecimento e o consentimento de seu esposo, ficando ligados de livre e espontânea vontade a esse compromisso.
Como sabemos, segundo a Lei antiga o varão tornava-se dono de sua esposa, de modo que “a mulher israelita costumava chamar seu marido com os termos ba’al — ‘amo’ e ‘adôn — ‘senhor’, como faziam os escravos com seu dono e o súdito com seu rei”.8 A partir do momento em que ambos se uniram, SãoJosé tornou-se senhor de Maria e, em consequência, senhor de todo o fruto d’Ela. São Francisco de Sales explica esta situação por meio de uma bela alegoria: “Se uma pomba [...] leva em seu bico uma tâmara e a deixa cair num jardim, não diríamos que a palmeira que vier a nascer pertence àquele de quem é o jardim? Ora, se isto é assim, quem poderá duvidar que o Espírito Santo, tendo deixado cair essa divina tâmara, como uma divina pomba, no jardim encerrado e fechado da Santíssima Virgem (jardim selado e rodeado por todos os lados pelas cercas do santo voto de virgindade e castidade toda imaculada), a qual pertencia ao glorioso São José, como a mulher ou esposa pertence ao esposo, quem duvidará, digo, ou quem poderá dizer que essa divina palmeira, cujos frutos alimentam para a imortalidade, não pertence ao grande São José?”.9
Para a Encarnação era indispensável Nossa Senhora conceber dentro das aparências de um casamento humano, a fim de não criar uma situação incompreensível, que dificultasse a missão do Messias. Logo, a gestação de Jesus no seio de Maria Santíssima tinha em José o selo da legalidade, de forma a garantir que o Menino viesse ao mundo em condições de normalidade familiar, a fim de operar a Redenção da humanidade.
O “fiat” de São José
Esta prerrogativa de São José, da paternidade legal do Menino, brilha ainda com maior fulgor quando constatamos que, sendo seu o fruto de Maria, ele poderia ter recusado o convite do Anjo no sonho, mas não o fez. Desse modo, paralelamente ao “Fiat!” de Nossa Senhora em resposta a São Gabriel no momento da Anunciação, também ele pronunciou outro fiat sublime, ao aceitar, pela fé, ser pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Uma vez que ele consentiu em manter o estado de virgindade e aceitou o mistério da concepção do Menino Jesus em Maria, São José deve ser considerado, ademais, pai virginal do Redentor, pois teve uma grande ligação com a Encarnação, embora extrínseca. Ele foi necessário para que houvesse a união hipostática, e foi vontade de Deus que também participasse desta ordem hipostática, de forma extrínseca, moral e mediata.10
Um esposo à altura de Nossa Senhora
Feitas essas considerações, lembremo-nos de outro princípio enunciado por São Tomás de Aquino: “Aqueles que foram eleitos por Deus para alguma coisa, Ele os prepara e dispõe de modo que sejam idôneos para desempenhar a missão”.11 De fato, desde toda a eternidade, São José esteve na mente de Deus com a vocação de ser chefe da Sagrada Família e para tal foi criado. Como diz a Oração do Dia da Santa Missa desta Solenidade, a ele foram confiadas “as primIcias da Igreja”.12 E teve sob sua custódia estas primIcias, que foram o Menino Jesus e Nossa Senhora. Devemos concluir, então, que São José recebeu graças específicas para estar à altura de sua missão de esposo e guardião de Maria Santíssima, bem como de pai legal e atribuído de Jesus Cristo, ou seja, pai de Deus.
Modelo de humildade
Entretanto, o que transparece acerca da personalidade de São José nos Evangelhos? Não consta que fosse falador, espalhafatoso ou demasiado comunicativo. Pelo contrário, à semelhança de Maria, José destacava-se pela seriedade, recato e despretensão. Certamente seguia uma rotina com horas marcadas para todos os seus deveres e uma aplicação ao trabalho notável pela constância.
Eis um exemplo do quanto Deus ama essas virtudes e escolhe para as grandes missões os que as praticam. Para conviver com Jesus e proteger todo o ambiente no qual Ele habitaria, a fim de realizar a mais alta obra de toda a História da criação, a Providência preferiu dois, uma dama e um varão, que fossem recolhidos, apagados e humildes...
São José, patrono da confiança e da boa morte
São José é também um impressionante modelo da virtude da confiança. Ele aceitou todas as incertezas que sua missão acarretava — como constatamos, por exemplo, no episódio da fuga para o Egito (cf. Mt 2, 14) —, pois é de se supor que, com relação ao atendimento das necessidades materiais e concretas da vida, a Providência não interviesse de forma direta, e deixasse essa responsabilidade aos cuidados dele. Portanto, era ele que tinha de garantir o sustento da Sagrada Família. A ele se aplica, de maneira especial, a belíssima frase empregada mais tarde por Nosso Senhor para indicar a razão do prêmio a ser dado aos justos, no fim do mundo: “tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes” (Mt 25, 35-36).
Do mesmo modo que Nossa Senhora recebeu a revelação dos padecimentos que o Salvador deveria sofrer na Terra para operar a Redenção, sem dúvida, também São José teve noção do que ia acontecer e assumiu todos os dramas e dores de Jesus e de Maria. Inflamado de amor por Jesus, seu grande desejo era de continuar neste mundo para proteger sua esposa virginal em todas as circunstâncias. Deus, porém, resolveu levá-lo antes de Jesus iniciar sua vida pública. Quiçá porque ele não toleraria presenciar todas as perseguições e tormentos da Paixão, e, enquanto varão, teria de manifestar seu desacordo com o plano da morte de Cristo e tomar a defesa d’Ele. Faria isso com tal ímpeto de zelo que talvez impossibilitasse que a Paixão chegasse a seu termo.

Ao abandonar esta vida, São José morreu nos braços de seu Divino Filho. Seus olhos apagaram-se para a contemplação de Deus-Homem no tempo e, abrindo-se para a eternidade, viram Jesus sorridente, que o deixou no Limbo dos Justos, para ser colhido no dia em que Ele descerrasse as portas do Céu.

sexta-feira, 14 de março de 2014

SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO

EVANGELHO SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ —19 DE MARÇO 
Mons João Clá Dias
16 Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. 18 A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua Mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, Ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-La, resolveu abandonar Maria em segredo. 20 Enquanto José pensava nisso, eis que o Anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque Ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um Filho, e tu Lhe darás o nome de Jesus, pois Ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. 24a Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado (Mt 1, 1 6. 18-2 1 .24a).
Elevado a alturas inimagináveis...
Esposo de Maria, pai virginal de Jesus e Patriarca da Igreja. Estes três títulos, glorioso apanágio de São José, proclamam a grandeza de sua missão e a elevação de dons com os quais sua alma foi adornada pela Divina Providência.
UM SANTO INSUFICIENTEMENTE VENERADO
Figura ímpar, exaltada pela Igreja junto com a de Maria, nunca será suficiente louvar São José, tal a quantidade de maravilhas e privilégios com que aprouve a Deus cumulá-lo. Infelizmente este glorioso Patriarca muitas vezes é esquecido, sendo seu culto menor do que mereceria. Encontramos uma explicação para isso no desvio ocorrido nos primeiros tempos do Cristianismo com relação à devoção a Nossa Senhora. Com efeito, os fiéis admiravam tanto a grandeza d’Ela que alguns chegaram a reverenciá-La como se fosse uma deusa.1
Ensina São Tomás de Aquino 2 que toda situação intermediária, considerada a partir de um dos extremos, se parece com o oposto. E foi o que se deu com o culto à Santíssima Virgem, pois, analisada a partir de nossa condição de criaturas concebidas no pecado original, Ela parece mais perto de Deus do que de nós. A Igreja evitou esse erro mantendo certos limites nas demonstrações de piedade mariana. Só no século IV declarou o dogma da maternidade divina, definindo a participação relativa de Maria no plano da união hipostática, o mais alto grau de toda a ordem da criação, e deixou passar longos séculos para, afinal, proclamar sua Conceição Imaculada. Foi preciso, no início, fixar a adoração a Nosso Senhor Jesus Cristo para de pois estimular o amor à Mãe de Deus, ao sabor dos ritmos divinos soprados pelo Espírito Santo. Com relação a São José, não parece ser outra a razão. Talvez Nosso Senhor tenha querido que certos aspectos desse varão permanecessem ocultos para impedir que, exageradamente enaltecidos, viessem a ofuscar a figura de Cristo, pois as atenções deviam estar todas voltadas para Ele.
Não é compreensível, entretanto, que sendo Jesus o Homem-Deus, nascido de uma Mãe Imaculada, colocasse junto a Si, como pai adotivo, uma pessoa apagada, sem brilho. Portanto, se durante vinte séculos São José permanece escondido e retirado, é de se esperar que esteja chegando a hora em que a teologia explicite verdades novas a seu respeito, pelas quais se torne conhecido, com exatidão e nas suas minúcias, seu papel na Sagrada Família e a categoria de sua elevação enquanto esposo de Maria, pai de Jesus e Patriarca da Santa Igreja.
“Confirmarei sua realeza”
Na primeira leitura desta Solenidade, extraída do Segundo Livro de Samuel, a Igreja aplica a São José e, sobretudo, a Jesus Cristo as palavras dirigidas pelo Senhor a Davi, pela boca do profeta Natã. Uma vez garantida a estabilidade de seu trono, Davi tinha grande empenho em edificar um templo para Deus, pois se sentia insatisfeito pelo fato de possuir para si um bom palácio, quando para o culto divino e a custódia da Arca da Aliança ainda não existia um recinto à altura. Por isso, com a bênção divina, ele começou a fazer planos, a reunir material para as obras e preciosos elementos de ornamentação. Certo dia, o profeta Natã lhe fez saber que não seria ele quem levantaria a morada para Deus, mas um de seus filhos: “Assim fala o Senhor: ‘Quando chegar o fim dos teus dias e repousares com teus pais, então, suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei a sua realeza. Será ele que construirá uma casa para o meu nome, e eu firmarei para sempre o seu trono real. Eu serei para ele um pai e ele será para Mim um filho. Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre diante de Mim, e teu trono será firme para sempre” (II Sm 7, 5a.12- -14a.16).
Não há movimento mais forte na alma de um monarca do que o desejo da continuidade de sua dinastia no governo do reino após sua morte. Sem dúvida, tal era o anelo de Davi, o qual quiçá nem ousasse formular o pedido, julgando-o atrevido, a ponto de ofender a Deus. Mas Ele mesmo, tomando a iniciativa, lhe anunciou que iria estabelecer sua casa e confirmar nela a realeza, significando que não aconteceria à sua estirpe algo análogo à de Saul, primeiro soberano de Israel, que perdeu a dignidade real devido a seus múltiplos pecados (cf. I Sm 15, 23).
Ao analisarmos esta leitura, poderíamos incorrer no erro de concluir que todos os descendentes de Davi foram perfeitos... A realidade histórica, contudo, demonstra que houve inúmeras infidelidades. Apesar disso, Deus não depôs do trono sua linhagem e a manteve até o último elo, Aquele que ligou a estabilidade desse reino à eternidade, conforme sublinha o Salmo Responsorial: “Eis que a sua descendência durará eternamente” (Sl 88, 37). José faz parte desta genealogia, junto com Maria Santíssima, para dar origem a Nosso Senhor Jesus Cristo, realizando a promessa feita ao Rei-Profeta. A este pensamento, porém, poder-se-ia alegar o fato de não ser ele o verdadeiro pai de Jesus, já que não prestou concurso humano para sua concepção.
O vínculo espiritual supera o de sangue
Ora, a perenidade de uma descendência não pode estar baseada na consanguinidade, mas, sim, em algum fundamento divino que a torne eterna, ou seja, na graça. São Paulo sublima ainda mais esta ideia, na Epístola aos Romanos (4, 13.16-18.22), contemplada nesta Liturgia, lembrando as palavras de Deus a Abraão: “Eu fiz de ti pai de muitos povos” (Rm 4, 17a). Abraão é pater multarum gentium — pai de muitos povos, no respeitante à fé e não à raça. Existe, portanto, um nível superior ao natural, ao humano, uma família constituída pela fé e não pelo sangue. Insiste o Apóstolo: “Ele é pai diante de Deus, porque creu em Deus que vivifica os mortos e faz existir o que antes não existia. Contra toda a humana esperança, ele firmou-se na esperança e na fé. Assim, tornou-se pai de muitos povos, conforme lhe fora dito: ‘Assim será a tua posteridade’. Esta sua atitude de fé lhe foi creditada como justiça” (Rm 4, 17h-18.22). Em São José, por ser descendente de Davi, se cumprem todas as promessas da Aliança. Ele é pai de Jesus pela fé herdada de Abraão e por ele levada à perfeição. O vínculo existente entre ele e o Redentor é uma relação de fé.
A REALIZAÇÃO DA MAIOR MISSÃO DA HISTÓRIA
Uma posição de humildade e admiração
6 Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. 8 A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua Mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, Ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-La, resolveu abandonar Maria em segredo.
A narração de São Mateus ressalta o acima dito, pois mostra o quanto São José era íntegro e homem de fé inquebrantável diante das maiores dificuldades. Em sua alma não cabia nenhuma febricitação, exemplo para um mundo no qual se cultua a agitação e a trepidação. Com efeito, na vida dos santos tudo transcorre calma e serenamente, ainda em meio à provação. E quando são atingidos por dramas, refletem, tomam uma decisão e continuam em frente, sem perder a paz.
José “era justo”, e quando viu Maria em período de gestação não levantou qualquer suspeita em relação à pureza d’Ela, pois A conhecia a fundo e “acreditava mais na castidade de sua esposa do que naquilo que seus olhos viam, mais na graça do que na natureza”.4 No entanto, amante e cumpridor da Lei — como se reflete em outros episódios do Evangelho —, via-se ele obrigado a repudiá-La em público ou em privado, ou a denunciá-La, entregando à morte Aquela de cuja inocência tinha plena convicção. Poderia, pelo contrário, retê-La consigo, abstendo-se de acusá-La, e assumir a criança como sua, mas tal opção também não lhe agradava considerando-se indigno de sucesso tão alto e extraordinário.5 Assim, não compreendendo o que n’Ela se realizava, logo adotou uma postura de humildade e de inferioridade: entregou tudo nas mãos de Deus, aceitou a humilhação e deliberou retirar-se ocultamente, antes que se manifestasse o acontecido, como a dizer: “Domine non sum dignus”.
Estás à altura!
20 Enquanto José pensava nisso, eis que o Anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque Ela concebeu pela ação do Espírito Santo”.
Já determinado a partir, transido de dor, recebeu de um Anjo a revelação: o fruto de Maria Santíssima era o próprio Deus feito Homem, e Ela seria Mãe sem deixar de ser Virgem! Quanto a ele, diferentemente do que pensava, estava, sim, à altura de sua celestial esposa, tornando-se um dos primeiros a conhecer o mistério sagrado da Encarnação do Verbo.
Serás pai do Menino
21 “Ela dará à luz um Filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois Ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”.
É difícil conceber qual foi a consolação e o arrebatamento de São José ao saber-se ligado a esse mistério e ao ouvir do Anjo o anúncio de que cabia a ele, por ser o Patriarca e o senhor da casa, dar o nome ao Menino. Da mesma forma que na geração eterna da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade o nome foi posto por Deus Pai, ao chamá-Lo de Salvador — pois Jesus significa aquele que salva —, José Lhe assinalaria também a missão com relação a seu nascimento temporal, assumindo, por especial concessão divina, um papel humano paralelo ao do Padre Eterno. A esse propósito, comenta o piedoso padre Isidoro de Isolano: “E costume que os pais sejam os que tenham autoridade para dar o nome a seus filhos. E como Jesus era o Filho de Deus, São José fez nisto as vezes do Pai celeste. Quando os príncipes são batizados — oportunidade na qual os cristãos dão o nome a seus filhos —, quem, senão outro rei, embaixador ou alto personagem, costuma fazer as vezes dos pais na atribuição do nome? Pois em circunstância semelhante ninguém pareceu tão grato ao Pai celeste, tão digno e tão preclaro, como São José”.6 Deste modo, cumpria-se em plenitude a profecia de que o Messias seria Filho de Davi, e o seria tanto por parte do pai quanto da Mãe.7
24a Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado.

José, obediente, recebeu Maria e passou a viver com Ela numa atmosfera de paz e tranquilidade, na expectativa do nascimento do Menino Jesus, sem, todavia, comentar nada do ocorrido, pelo enorme respeito que Lhe devotava. Mas sabia que o esperado pelos profetas, o Emanuel, o Cristo viera morar em sua casa e ele podia adorá-Lo, desde então, realmente presente no tabernáculo das entranhas puríssimas de sua virginal esposa.

sábado, 31 de março de 2012

Espírito de respeito às regras


“Por ser da família e descendência de Davi, São José subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia, até a cidade de Davi, chamada Belém, na Judéia, para registrarse com Maria, sua esposa, que estava grávida”.

Sendo de estirpe real, José deveria apresentar-se com sua esposa na cidade de seus ancestrais. Era necessário caminhar uns 150 quilômetros, distância que separava Nazaré de Belém por aquelas estradas.

Não haviam ainda os romanos posto em prática toda a sua capacidade organizadora no tocante à rede de comunicação de seu Império. É verdade que já estavam construindo, na região de Roma, ótimas estradas, levantavam pontes e viadutos sólidos, mas os caminhos da Palestina não haviam sido endireitados e pavimentados até então.

Eram vias ricas de aspectos pitorescos, mas quão tortuosas, esburacadas e arriscadas! .oi por este cenário agreste que se aventuraram José e Maria durante alguns dias. .elizmente, por estarem num período de recenseamento, por todo percurso encontravam uma multidão de pessoas, diminuindo de certo modo os perigos. Apesar disso não deixava de ser um deslocamento penoso.

Não consta que José e Maria hajam se queixado de algo. Submeteram-se docilmente às determinações, por serem fiéis ao princípio da autoridade, criado por Deus e posto em prática na legislação. Não se tratava de uma ordem criminosa nem injusta; logo, devia ser obedecida. 

quinta-feira, 29 de março de 2012

São José - A glória de ter sido recusado

Refiro-me ao fato de ele, ao procurar um abrigo para Nossa Senhora prestes a dar à luz o seu divino Filho, ver que lhes recusavam lugar nas hospedarias de Belém. São José, Príncipe da Casa de David, nobre da família real ao mesmo tempo deposta e no seu apogeu, pois dela ia nascer o esperado das nações, bate às portas e é rechaçado.

Despedem a quem representava algo que a mediocridade de alguns homens sempre rejeitou, ou seja, a distinção, a majestade, enfim porque simbolizava a grandeza e a sublimidade do próprio Verbo Encarnado que Maria Santíssima trazia consigo.

Foi esta a primeira glória de São José, sua especial bem-aventurança de ter sido recusado no momento mais augusto da História. Nesse sentido, prenunciava em sua pessoa a renúncia tão mais acerba que Nosso Senhor Jesus Cristo sofreria mais tarde, culminando na crucifixão e morte no Calvário.

terça-feira, 27 de março de 2012

São José e o Deus Encarnado

Em São José, de tal maneira brilha a chama da caridade, um tão intenso amor de Deus, uma vida interior tão admirável, que ele se tornou objeto das complacências do próprio Deus Encarnado.

domingo, 25 de março de 2012

Glórias terrenas de São José

A primeira das glórias terrenas de São José é a do homem recusado às portas das estalagens de Belém; a de se refugiar num lugar ermo e ali ver nascer o Filho de Deus; a de ser um homem apagado, o “carpinteiro”, rejeitado por amor à justiça. A glória, exatamente, daquele que, enquanto comovedora prefigura, tomou sobre si as humilhações, a ignomínia, todo o peso do opróbrio que um dia recairiam sobre o divino Redentor.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Humildade de São José


Depois de Maria Santíssima, São José foi o mais elevado expoente de virtudes da humanidade. Brilha nele a chama da caridade. Um intenso amor de Deus, uma espiritualidade e uma vida interior admiráveis fazem de sua alma objeto da complacência da Santíssima Trindade.

Este homem humilde foi chamado a participar de acontecimentos dos quais decorreram os mais notáveis fatos da história do mundo. Pela sua admirável correspondência à graça, São José colaborou de modo eminente no plano divino da Redenção e, desse modo, é merecedor de grande parcela da glória que, legitimamente, cabe ao Divino Salvador, pela imensidade de benefícios com que nos cumulou.

quinta-feira, 22 de março de 2012

São José - fuga para o Egito

Em geral, as pinturas e esculturas que representam a Fuga para o Egito mostram Nossa Senhora montada num burrico, trazendo aos braços, com uma imensidade de carinho, cuidado e respeito, o Menino Jesus. À frente ou ao lado d’Eles, caminha São José. Sendo o membro mais forte da Sagrada Família, competem-lhe, explicavelmente, os maiores incômodos e cansaços da viagem. Fadiga que o castíssimo esposo de Maria aceitava com sublime disposição de alma, pois sabia que devia cercar Nossa Senhora de todo o conforto possível: era Ela quem levava o adorável pequeno peso, aquele corpo divino que um dia seria suspenso nos braços implacáveis da Cruz..

sábado, 17 de março de 2012

São José e Santa Teresa

O exemplo de Santa Teresa

Onde encontrar algum ponto de afinidade com tão grande Santo, para confiarmos em sua poderosa intercessão?

Uma de suas maiores devotas, Santa Teresa de Jesus, dizia querer “convencer todas as pessoas a serem devotas deste glorioso Santo, pela comprovação que fiz dos dons que ele alcança de Deus”.

E acrescentava: “Tomei como protetor e senhor o glorioso São José. Não me lembro, até agora, de lhe ter pedido alguma coisa e não ser atendida. Fico espantada com os favores que recebi de Deus por intercessão deste bem-aventurado Santo e dos perigos dos quais me livrou, tanto de corpo como de alma.

“A outros Santos, parece que lhes deu o Senhor poder para socorrer em um só tipo de necessidade. Este glorioso Santo, tenho comprovado que socorre em todas as necessidades. Deus quer dar a entender que, assim como foi submisso a São José aqui na Terra, também no Céu Jesus faz tudo quanto ele lhe pede.”

sexta-feira, 16 de março de 2012

São José - Constante contemplador de Jesus e de Maria


Sim, leitor, como imagina você a figura majestosa e paternal de São José?

Segundo São Tomás de Aquino, todas as criaturas existentes no universo poderiam ter sido criadas por Deus de modo mais perfeito, exceto três: Jesus Cristo, a Virgem Maria e a visão beatífica. Jesus, sendo Deus, não podia ter a mínima imperfeição. Para ser sua Mãe, é natural que Ele escolhesse a criatura humana mais perfeita possível. Deste modo, se somarmos as perfeições de todos os Anjos e de todos os Santos, teremos apenas uma ideia pálida das riquezas sobrenaturais que adornam a alma de Maria.

Mas Deus não iria escolher para esposo de sua Mãe Virginal, para seu pai adotivo, alguém que não estivesse à altura de tal missão. Tinha de ser um homem proporcionado a essa esposa, pelo seu amor de Deus, pela sua justiça, pela sua pureza, por sua sabedoria, por todas as qualidades. Esse homem é São José.

Ambos eram da Casa de David. Talvez até tivessem certa semelhança física, entre si. E não é inverossímil imaginar São José com alguns traços fisionômicos do Rei Profeta, seu glorioso antepassado, do qual diz a Sagrada Escritura: “louro, de belos olhos e mui formosa aparência (...) valente e forte, fala bem, tem um belo rosto, e o Senhor está com ele” (I Sam 16, 12 e 18).

Sob o ponto de vista sobrenatural, São José alcançou o mais alto píncaro da santidade e não pode ter deixado de praticar a devoção a Nossa Senhora no grau mais perfeito, e participar das virtudes altíssimas de sua esposa virginal. Sua vida foi uma constante contemplação de Maria e de Jesus. Por isso ele pode ser considerado o padroeiro e modelo das almas contemplativas e dos devotos de Maria.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A devoção dos Sete Domingos em honra a São josé


Uma das devoções a São José mais divulgadas é a dos Sete Domingos em honra de suas sete dores e sete alegrias, que transcrevemos nas páginas seguintes. Por meio dela, leitor, não só você obterá graças por intercessão de São José, como também, meditando nos sete momentos-auge de sua vida, ele lhe abrirá os segredos de sua alma virginal, dando a conhecer algo de sua fisionomia e de suas grandes virtudes. A primeira delas, seu amor ardentíssimo a Nossa Senhora, pois são José é o primeiro devoto da Virgem Maria.


Sete Domingos em honra de São José ou Coroa das Sete Dores e dos Sete Gozos de São José

ORAÇÃO PREPARATÓRIA

Deus e Senhor meu, em Quem creio e espero e a Quem amo sobre todas as coisas, entre a multidão de meus pecados me confundo, e com sincero arrependimento peço-Vos perdão e clemência. Pesa-me de Vos ter ofendido, e proponho, com a vossa Divina Graça, nunca mais tornar a Vos ofender. Tende piedade de mim, Senhor. Escutai os meus rogos e não permitais que eu me separe de Vós. E vós, bondoso São José, intercedei por mim para que Jesus perdoe os meus pecados e derrame sobre minha alma os tesouros de sua Santa Graça para que eu possa fazer, com fruto, os Sete Domingos, em vossa honra e bem de minha alma. Lembrai-vos, meu doce protetor, que nenhum dos que têm implorado vosso auxílio tem ficado sem consolo. Animado desta confiança, venho à vossa presença neste dia, suplicando-vos as graças de que necessito e que espero conseguir de Jesus e Maria. Amém.

ORAÇÕES PARA CADA DOMINGO

I Domingo

Ó Esposo puríssimo de Maria Santíssima, glorioso São José, assim como foi grande a amargura de vosso coração na perplexidade de abandonardes a vossa castíssima Esposa, assim foi indizível a vossa alegria quando pelo Anjo vos foi revelado o soberano mistério da Encarnação. Por esta Dor e por este Gozo, vos pedimos a graça de consolardes agora e nas extremas dores, nossa alma, com a alegria de uma vida justa e de uma santa morte semelhante à vossa, assistidos por Jesus e por Maria.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória. São José, rogai por nós.

II Domingo

Ó felicíssimo Patriarca, glorioso São José, que fostes escolhido como Pai adotivo do Verbo Humanado, a Dor que sentistes ao ver nascer em tanta pobreza o Deus Menino, se vos mudou em júbilo celeste ao ouvirdes a angélica harmonia e ao contemplardes a glória daquela brilhantíssima noite. Por esta Dor e por este Gozo, vos suplicamos a graça de nos alcançardes que, depois da jornada desta vida, passemos a ouvir os angélicos louvores e a gozar os resplendores da glória celeste.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória. São José, sustentador do Filho de Deus, rogai por nós.

III Domingo

Ó obedientíssimo das divinas Leis, glorioso São José, o sangue preciosíssimo que na Circuncisão derramou o Redentor-Menino vos trespassou o coração, mas o nome de Jesus vo-lo reanimou, enchendo-o de contentamento. Por esta Dor e por este Gozo, alcançai-nos viver sem pecado, a fim de expirar cheios de júbilo, com o nome de Jesus no coração e nos lábios.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória. São José obedientíssimo, rogai por nós.

IV Domingo

Ó fidelíssimo Santo, glorioso São José, que também tivestes parte nos mistérios de nossa Redenção, se a profecia de Simeão a respeito do que Jesus e Maria teriam de padecer vos causou mortal angústia, também vos encheu de sumo Gozo pela salvação e gloriosa Ressurreição que, como igualmente predisse, teria de resultar para inumeráveis almas. Por esta Dor e por este Gozo, obtende-nos que sejamos do número daqueles que, pelos méritos de Jesus e pela intercessão da Santíssima Virgem sua Mãe, hão de ressuscitar gloriosamente.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória. São José fidelíssimo, rogai por nós.


V Domingo

Ó vigilantíssimo custódio, íntimo familiar do Filho de Deus Encarnado, glorioso São José, quanto sofrestes para alimentar e servir o Filho do Altíssimo, particularmente na fuga com Ele para o Egito. Mas qual não foi também vosso Gozo por terdes sempre convosco o mesmo Deus e por verdes cair por terra os ídolos egípcios.

Por esta Dor e por este Gozo, alcançai-nos que, afastando para longe de nós o infernal tirano, especialmente com a fuga das ocasiões perigosas, sejam derrubados de nossos corações todos os ídolos dos afetos terrenos, e que, inteiramente dedicados ao serviço de Jesus e de Maria, para Eles somente vivamos e na alegria de seu amor expiremos.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória. São José castíssimo, rogai por nós.

VI Domingo
Ó anjo da Terra, glorioso São José, que cheio de pasmo vistes o Rei do Céu submisso a vossos mandados, se a vossa consolação, ao reconduzi-Lo do Egito, foi turbada pelo temor de Arquelau, filho de Herodes, contudo, sossegado pelo Anjo, permanecestes alegre em Nazaré com Jesus e Maria.

Por esta Dor e por este Gozo, alcançai-nos a graça de desterrar do nosso coração todo temor nocivo, de gozar a paz de consciência, de viver seguros com Jesus e Maria, e também de morrer assistidos por Eles.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória. São José, casto guarda da Virgem, rogai por nós.

VII Domingo
Ó exemplar de toda a santidade, glorioso São José, perdestes sem culpa o Menino Jesus, e para maior angústia houvestes de buscá-Lo por três dias, até que, com sumo júbilo, gozastes do que era a vossa vida, achando-O no Templo entre os doutores.

Por esta Dor e por este Gozo, vos suplicamos, com o coração nos lábios, que interponhais o vosso valimento para que nunca nos suceda perder a Jesus por culpa grave. Mas, se por desgraça O perdermos, com tão intensa dor O procuremos, que O achemos favorável, especialmente em nossa morte, para podermos glorificá-Lo no Céu e lá cantarmos eternamente suas divinas misericórdias.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória. São José fortíssimo, rogai por nós.

ORAÇÃO FINAL

Ó Deus, que por vossa inefável providência Vos dignastes escolher o bemaventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima, concedei-nos, nós Vo-lo pedimos, que venerando-o aqui na Terra como protetor, mereçamos tê-lo no Céu como nosso intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.


segunda-feira, 12 de março de 2012

José, varão justo por excelência


A Teologia aprofundou de forma admirável, ao longo dos séculos, na divina missão de São José e descreveu com riqueza de detalhes as graças que Providência lhe concedera.


Os principais traços da vida do santo esposo da Virgem Maria chegaram até nós nos primeiros capítulos do primeiro e terceiro evangelhos 1.

Segundo vários autores, entre os quais São Justino 2, São José era originário de Belém, a cidade de Davi, seu antepassado, situada dez quilômetros ao sul de Jerusalém. Mais tarde, passou a morar em Nazaré, cidade na qual, em obediência à voz do anjo, estabeleceu-se novamente ao voltar do Egito, cumprindo-se assim o que de Jesus diziam os profetas: “Será chamado Nazareno” (Mt 2, 23).

Mateus (13, 55) e Marcos (6, 3) o designam como téktón, o que significa tanto carpinteiro quanto artesão ou edificador de pequenas casas.

Perfil moral do santo Patriarca
Poucos são, em conseqüência, os dados diretos que nos referem os Evangelhos sobre São José. No entanto, ao ter sido ele escolhido por Deus para esposo de Maria, a “cheia de graça”, e digno custódio do Verbo Encarnado, não podemos duvidar de ter sido ele provido de dons e virtudes extraordinários, que vão muito além do conciso relato de Marcos e Mateus.

Nesse sentido, Santo Alberto Magno o exalta dizendo: “Fez de seu coração e de seu corpo um templo ao Espírito Santo, no qual ofereceu a si mesmo a Deus e, em si mesmo, a mais perfeita castidade de corpo e alma, no mais aceitável e agradável sacrifício a Deus” 3.

E o Papa Leão XIII, numa encíclica dedicada a São José, mostra como seu matrimônio com a Santíssima Virgem o fazia partícipe da grandeza dEla.

José “é o esposo de Maria e pai legal de Jesus. Dessa fonte mana sua dignidade, sua santidade, sua glória. Certo é que a dignidade de Mãe de Deus chega tão alto que nada pode existir de mais sublime. Mas, uma vez que entre a Santíssima Virgem e José estreitou-se um laço conjugal, não há dúvida de que ele, mais do que qualquer outro, se aproximou daquela altíssima dignidade pela qual a Mãe de Deus supera de muito todas as criaturas. Já que o matrimônio é o máximo consórcio e amizade — ao qual está unida a comunhão de bens — segue-se que, se Deus deu José como esposo à Virgem, não o deu apenas como companheiro de vida, testemunho da virgindade e tutor da honestidade, mas também para que ele participasse, por meio do pacto conjugal, na excelsa grandeza dEla” 4.

O evangelho da Solenidade

A passagem mais significativa das Sagradas Escrituras a respeito do esposo de Maria foi escolhida pela Igreja como segunda leitura própria da solenidade de São José. Tomada do Evangelho de Mateus (1, 18-24), ao percorrê-la, sentimos o estilo claro, breve, exato, musical até, com que os autores sagrados narram as maravilhas da salvação.

Analisemos um a um esses seis poéticos versículos:

Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua Mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que Ela concebeu por virtude do Espírito Santo.

O termo “desposada” merece uma explicação, que nos é dada pelo douto Pe. Ricciotti: “O matrimônio entre os judeus se realizava em duas etapas. O compromisso (em hebraico kiddushin ou erusin) não era uma mera promessa, como hoje, mas um contrato legal perfeito, ou seja, verdadeiro matrimonium ratum. Portanto, a mulher prometida em casamento era esposa em sentido pleno e podia receber o libelo de repúdio. E em caso de morte era verdadeira viúva. Cumprido este compromisso matrimonial, os prometidos-esposos ficavam nas respectivas famílias por certo tempo que era costumeiramente de um ano [...] Este tempo era empregado nos preparativos da nova casa e do mobiliário familiar” 5.

José, seu marido, que era um homem justo

A palavra “justo” tem aqui um valor muito grande. Santo Alberto Magno assim comenta: “São José foi varão perfeito, no referente à justiça, pela constância da sua fé; quanto à temperança, pela virtude de sua castidade; quanto à prudência, pela excelência de sua discrição; quanto à fortaleza, pela energia de sua ação. Assim, pois, encontramos nele as quatro virtudes cardeais em grau excelente” 6.

Consideremos mais adiante as virtudes de São José, dando continuação agora ao relato de Mateus.

José jamais duvidou da integridade de Maria

...e, não querendo difamá-La, resolveu deixá-La secretamente.

É importante salientar que dentro desta grande perplexidade jamais houve em São José dúvida alguma quanto à santidade de Maria. Esta santidade lhe era evidente, não só por ser notória para qualquer um, mas porque José fora dotado por Deus — uma vez que tinha sido escolhido para ser o pai adotivo de Jesus — com dons especiais para discernir todas as virtudes que adornavam a alma da Virgo Virginum.

O sensum fiedei nos leva, portanto, a concluir não ser possível que José tenha duvidado dEla. Ao encontro disso, vejamos também o que comentam a respeito desta passagem alguns grandes doutores.

Diz São Tomás que José conhecia a santidade de Maria, o que o fazia sentir-se demasiado pequeno: “José não quis abandonar Maria para tomar outra esposa, ou por alguma suspeita, mas porque temia, em sua humildade, viver unido a tanta santidade; por isso lhe foi dito ‘Não temas’ (Mt 1, 20)” 7.

Por sua vez, o doctor melifluus, São Bernardo, exclama, em uníssono com São Tomás: “Mas por que quereria ele deixá-la? Considerai sobre este ponto, não meu próprio pensamento, mas o dos Padres da Igreja. Se José quis abandonar Maria, o fez movido pelo mesmo sentimento que levou São Pedro dizer, quando procurava afastar o Senhor para longe de si: ‘Retirai-Vos de mim, porque sou um homem pecador’ (Lc 5, 8); e ao centurião, dissuadindo o Salvador de ir até sua morada, afirmar: ‘Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa’ (Mt 8, 8). Foi, pois, levado por esse pensamento que José também, julgando-se indigno e pecador, dizia a si mesmo que não devia viver por mais tempo na familiaridade de uma mulher tão perfeita e tão santa, cuja admirável grandeza de tal forma o ultrapassava e lhe inspirava pavor. Ele via com uma espécie de assombro que Ela estava grávida da presença de um Deus, e, não podendo penetrar esse mistério, tinha feito o propósito de deixá-La” 8.

O motivo do desejo de partir, portanto, não era uma dúvida sobre a integridade de Maria, mas, pelo contrário, o seu abismamento de veneração e de humildade perante a grandeza dEla!

Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, pois nEla o que é gerado é do Espírito Santo”.

Desvendado o mistério, tudo fica claro. É esta uma verdadeira “anunciação” a José, a qual se relaciona harmoniosamente com a Anunciação do anjo Gabriel a Maria 9.

O nome Jesus

Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois Ele vai salvar o seu povo de seus pecados.

Era, de fato, atribuição do pai, na lei judaica, dar o nome ao filho. No evangelho, por exemplo, se relata também a perplexidade dos parentes de São João Batista ao saberem como queriam seus pais que ele fosse chamado. Zacarias, então, escreveu sobre uma tabuleta: “João é seu nome” (Lc 1, 63). Esse episódio deixa patente como, apesar da estranheza de muitos, pois ninguém na família se chamava assim, se aceitou a autoridade do pai nessa circunstância.

Nesse versículo, a voz do Senhor, por meio do anjo, se faz ouvir a José, comunicando-lhe que Deus o associa a este grande mistério: é ele quem deve nomear ao Salvador. De igual forma, Deus ratifica a legitimidade do pátrio poder de São José sobre Jesus, ou seja, sua condição de verdadeiro pai, como salienta o Papa João Paulo II, na sua já citada Exortação Apostólica:

“Quando lhe deu o nome, José declarou a própria paternidade legal em relação a Jesus; e, pronunciando essenome, proclamou a missão deste menino, de ser o Salvador” 10.

Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel, que significa: Deus conosco.

Podemos considerar que o nome dAquele que veio a ser o Redentor do mundo tinha sido escolhido por Deus desde toda a eternidade, de acordo com a essência do Salvador. Afirma, com efeito, no mesmo documento o Papa João Paulo II: “Neste caso, trata-se de um Filho que — segundo a promessa divina — realizará plenamente o que esse nome significa: Jesus — Yehosua, que quer dizer ‘Deus salva’” 11. Pois, desde antigos tempos, o nome queria significar as propriedades ou qualidades de seu detentor.

Diz a este respeito São Tomás: “Os nomes devem corresponder às propriedades das coisas. [...] os nomes dos indivíduos são dados por alguma propriedade daquele a quem se dá o nome. [...] Mas os nomes que Deus impõe a alguns significam sempre algum dom gratuito que Deus lhes concede, como foi dito a Abraão: ‘Serás chamado Abraão, porque Eu te constituí pai de numerosas nações’ (Gn 17, 15); ou como foi dito a Pedro: ‘Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja’ (Mt 16, 18).

“Ora, dado que ao homem Cristo fora concedido este dom gratuito de salvar todos os homens, convenientemente, pois, Lhe foi dado o nome de Jesus, ou seja, Salvador; nome que o anjo comunicou de antemão não só à Mãe, mas também a José, que haveria de ser o pai de criação” 12.

Assim se conclui a anunciação do anjo a José, com a revelação da missão de Jesus de “salvar o seu povo de seus pecados”. Podemos exclamar, com a liturgia da Igreja: “O magnum misterium!” Sobre este mistério sublime, assim revelado, comenta São Bernardo:

“O Senhor achou José segundo o Seu coração e lhe confiou com inteira segurança o mais misterioso e o mais sagrado segredo de Seu coração. Ele lhe revelou as obscuridades e os segredos de Sua sabedoria, facultando-lhe conhecer o mistério desconhecido desde as origens do mundo. Aquilo que numerosos reis e profetas desejaram ver e não viram, foi concedido a ele, José, o qual não só viu, mas também compreendeu, carregou, guiou os passos, abraçou, osculou, alimentou e protegeu” 13.

Quando acordou, José fez como o anjo do Senhor havia mandado e assumiu para si a sua esposa.

É de salientar aqui a obediência de São José à voz do anjo. Essa mesma docilidade se tornará patente também quando receber a ordem de ir para o Egito, fugindo de Herodes e, mais tarde, quando o mensageiro celeste o mandar voltar, por já ter morrido o tirano. Sua submissão é paralela à de Maria, que exclamou, ao receber a inefável notícia de que seria a Mãe de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em Mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

Outros episódios narrados nos evangelhos

Visitação a Santa Isabel

Os evangelhos não mencionam a presença de José na viagem de Maria a Ain-Karim, para visitar sua prima Isabel. Mas é óbvio que ele não deixaria sua jovem esposa fazer sozinha uma viagem tão longa. Era preciso percorrer mais de cem quilômetros, que requeriam cerca de três dias de penosa caminhada, por veredas tortuosas e não isentas de todo tipo de incertezas. Era preciso contar não só com os perigos da natureza, como também com a insegurança dos caminhos, tantas vezes infestados de salteadores.

Além disso, para a mentalidade e os costumes da época, era incompreensível que uma jovem andasse sozinha, e menos ainda empreendesse uma viagem desse porte sem estar acompanhada de algum familiar muito próximo ou, se já fosse casada, do próprio esposo. O fato de ter José levado consigo Maria a Belém, também confirma essa hipótese. Certamente, assim procedeu para não deixar sua esposa sozinha em casa, uma vez que a presença dEla não era necessária para o recenseamento.

Fuga para o Egito

Os evangelhos narram, após a primeira manifestação do anjo, ainda outra, ordenando a fuga para o Egito. Ali, São José deixa novamente transparecer sua inteira obediência à inspiração divina. Quantos desvelos, quantas preocupações, quantas noites exposto às inclemências do tempo, ao longo das agrestes rotas da época, exercendo sua função de esposo e custódio de Maria, de pai e zeloso guardião do Redentor! Porém, uma vez mais, o silêncio sublime do evangelho cobre os detalhes dessa provação para a Sagrada Família.

Jesus, Maria e José permaneceram no Egito “até a morte de Herodes” (Mt 2, 15). Mas o Santo Patriarca não ousou voltar para a Judéia, ao saber que lá reinava Arquelau, filho de Herodes; “avisado divinamente em sonho” (Mt 2, 22), retirou-se para a Galiléia e instalou-se com Jesus e Maria na cidade de Nazaré.

Em todas essas obrigações que, como pai, lhe competiam, José praticou de forma excelsa a virtude da fortaleza.

Com efeito, o que não significaria cuidar de Jesus e Maria, sustentá-Los e defendê-Los como Eles mereciam, nas dificuldades da vida daqueles tempos... Mais ainda, no exílio do Egito — terra estranha e pagã — quais não terão sido os obstáculos e perigos!

Perda e encontro de Jesus no Templo

A perda de Jesus no Templo nos é narrada pelo evangelho de Lucas (cf. Lc 2, 41-51). Tinha Jesus “doze anos”, quando seus pais subiram, como “todos os anos”, para Jerusalém por ocasião da Páscoa, para cumprir a Lei. No regresso, pensaram eles que seu Filho estava entre a comitiva da viagem, mas não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à Sua procura. Três dias depois, O acharam ensinando no templo, entre os doutores.

Para Maria e José, foi uma tremenda provação cuja magnitude se entrevê no curto diálogo com Jesus e, sobretudo, no comentário final do evangelista: “Meu filho, que nos fizeste? Eis que teu pai e eu andávamos aflitos à Tua procura. Ele respondeu-Lhes: “Por que Me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-Me das coisas de meu Pai?” Eles, porém, não compreenderam o que Ele lhes dissera”. Uma vez mais, José depara com a prova da perplexidade ante os desígnios divinos, tantas vezes incompreensíveis à inteligência humana.

Jesus “desceu com Eles a Nazaré e lhes era submisso”. E ali o Menino “crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 51-52).

A paixão de São José

Sobre esses episódios, narrados tão sucintamente pelo autor sagrado, o inspirado comentário do padre Bonifacio Llamera lança uma luz: “ infância e a A vida oculta de Jesus constituem a paixão de São José” 14. Maravilhoso período da vida do Salvador, em que o mistério envolve com resplendores dourados a virtude de Jesus, Maria e José.
Também o padre Eugenio Cantera, renomado teólogo espanhol, comenta sobre o mesmo período: “Em todas as cenas da infância do Salvador advertimos não só a presença de José, mas também sua intervenção direta, sua ação imediata; ação, se quiser, oculta e silenciosa, mas eficaz e constante. Contemplemos por alguns momentos esses passos de Jesus Menino e o veremos sempre acompanhado de José” 15.

Todo esse tempo junto a Jesus e Maria significou para José um acréscimo, a cada instante, das virtudes infusas com que a Providência o tinha dotado.

 “Vir justus”, escolhido desde toda a eternidade
Mas será que podemos nos limitar a considerar tão-somente as graças de José a partir de suas castas núpcias? Não é ele, como vimos, o vir justus, escolhido desde toda a eternidade para ser o pai adotivo de Jesus?

Nesse sentido, afirma o Pe. Reginaldo Maria Garrigou-Lagrange: “Considerada sua missão totalmente divina, o Deus providente lhe concedeu todas as graças já desde a infância: piedade, virgindade, prudência, perfeita fidelidade...” 16.

Também São Jerônimo afirmava que José era chamado justo pela posse perfeita de todas as virtudes.

E o douto Pe. Juan de Maldonado, S.J., o confirma: “São José é chamado justo, não porque possuiu só a justiça, uma das quatro virtudes morais, mas porque esteve cheio de todo gênero de virtudes, como assinalou Crisóstomo” 17.

São José cooperou para constituição da ordem hipostática!

O conceituado teólogo dominicano, Pe. Bonifacio Llamera, na sua citada obra Teología de San José 18, dedica 36 páginas a demonstrar, baseado em renomados autores, como São José “coopera na constituição da ordem hipostática, de um modo verdadeiro e singular, extrínseco, moral e mediato” 19. E conclui: “São José [está] compreendido no decreto divino da Encarnação”.

A mesma opinião defende o biblista Pe. José Maria Bover, S.J., o qual, discorrendo sobre a paternidade de São José numa de suas obras, chega a afirmar:

“Relativamente ao Filho de Deus, enquanto homem, era verdadeira autoridade ou poder paterno: Jesus Cristo, enquanto homem, estava sujeito a José, ao qual devia obediência. No tocante à Mãe de Deus, a paternidade de José era como o complemento conatural da divina maternidade de Maria, a cuja categoria estava elevada. No referente a Deus Pai, era uma misteriosa participação, comunicação ou extensão de sua divina paternidade.

“Em virtude dessa tríplice relação, a inefável paternidade de José entroncava-se à ordem da união hipostática. E a esta ordem suprema pertencia, conseqüentemente, a graça de José: não de ordem ministerial — como a de São João Batista ou a dos Apóstolos — mas graça de ordem e caráter hipostático, como era a graça da Mãe de Deus, se bem que num grau inferior em relação a Ela” 20.

Podemos, pois, concluir com o Pe. Garrigou-Lagrange: “A esta ordem superior pertence ‘terminative’ a missão especial de Maria, isto é, a maternidade divina e, em certo sentido, ou seja, extrínseca, moral e mediatamente, a oculta missão do bem-aventurado José” 21.

Morte de São José

Por ter falecido nos braços de Jesus e Maria, São José é o padroeiro da boa morte. Pois se julga, e com razão, que ninguém foi tão bem assistido como ele em seus últimos momentos. Quase se poderia dizer que por isso o termo de sua vida foi tão suave e consolador que dele esteve ausente qualquer sofrimento ou angústia. No entanto, não podemos esquecer que para José esta foi a suprema perplexidade de sua existência terrena. Pois, ao falecer, separava-se do convívio inefável com sua virginal esposa e com Jesus, o Filho de Deus. José partia para a Eternidade, deixando na terra o seu Céu...

A consideração do exemplo e dos preciosos dons concedidos por Deus ao pai adotivo de Jesus nos leve a confiar na poderosa intercessão daquele a quem o próprio Filho de Deus obedeceu: “E era-Lhes submisso” (Lc 2, 51).

“O exemplo de São José — afirmou o Papa Bento XVI na comemoração de sua festa litúrgica — é para todos nós um forte convite a desempenhar com fidelidade, simplicidade e humildade a tarefa que a Providência nos destinou. Penso antes de tudo, nos pais e nas mães de família, e rezo para que saibam sempre apreciar a beleza de uma vida simples e laboriosa, cultivando com solicitude o relacionamento conjugal e cumprindo com entusiasmo a grande e difícil missão educativa. Aos sacerdotes, que exercem a paternidade em relação às comunidades eclesiais, São José obtenha que amem a Igreja com afeto e dedicação total, e ampare as pessoas consagradas na sua jubilosa e fiel observância dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. Proteja os trabalhadores de todo o mundo, para que contribuam com as suas várias profissões para o progresso de toda a humanidade, e ajude cada cristão a realizar com confiança e com amor a vontade de Deus, cooperando assim para o cumprimento da obra da salvação” 22. 

1) Mt 1-2; Lc 1-2; 3, 23; 4,22. Além disso, é mencionado como pai de Jesus em Jo 1, 45; 6, 42.
2) São JUSTINO, Dial. cum Tryph., LXXXVIII, in P.G., VI, 688.
3) Mariale, q. 51. Apud LLAMERA, Bonifacio. Teología de San José; BAC, Madrid, 1953, p. 160.
4) LEÃO XIII Encíclica Quamquam pluries, 18 agosto de 1889, n. 3.
5) G. RICCIOTTI, Vita di Gesù. n. 232. Società Grafica Romana, 3a. ed., Turim-Roma (1947).
6) SANTO ALBERTO MAGNO. Mariale, q. 22. Apud Llamera, Teología de San José. Bac Madrid, 1953, p. 462.
7) SÃO TOMÁS. Commentarium in Math. 1, 19, apud LLAMERA, B., ibidem, p. 209.
8) SÃO. BERNARDO, Homilia II Super Missus est n. 14.
9) Cf. JOÃO PAULO II, Exortação Apostólica Redemptoris Custos de 15-8-1989 nn. 4 e 12.
10) Idem, ibidem, n.12.
11) Idem, ibid. n. 3
12) SÃO TOMÁS. Suma Teológica, III, 37, Ad. 2 Resp.
13) SÃO BERNARDO. Homilia II super “Missus est” 2; 16.
14) LLAMERA, Bonifacio, ibidem, p. 166.
15) CANTERA, E. San José en el plan divino. Apud Llamera, ibidem, p. 236.
16) GARRIGOU-LAGRANGE: De Præsentia S. Ioseph. “Angelicum” abril-junho 1928, apud Llamera, ibidem,
17) In Mt. 1, 19. Apud LLAMERA, ibidem, p. 198.
18) Biblioteca de Autores Cristianos, n. 108, Madrid, 1953. Deste livro diz o Pe. Antonio Royo Marín, O.P.: “Esta obra é, de longe, a melhor que se tenha escrito sobre São José no mundo todo” (La Virgen y Dios, BAC, Madrid, p. 406).
19) Ibidem, p. 115.
20) BOVER S.I., José Maria: Vida de Nuestro Señor Jesucristo (Barcelona, 1955), in P. Francisco de P. Solà, S.J. Mt 1-2 y las relaciones que establecen entre San José y el misterio de Cristo, in e-aquinas, Revista electrónica mensual del Instituto Santo Tomás (Fundación Balmesiana), março 2006.
21) De Præsentia S. Ioseph. “Angelicum” abril-junho 1928, p. 202, apud LLAMERA, ibidem, p. 131.
22) Ângelus, 19 de março de 2006