quinta-feira, 1 de setembro de 2011

As cinco dores de São José

A Igreja venera as cinco grandes dores de São José, mas ensina que a cada dor corresponde uma imensa alegria que Deus lhe enviou. A primeira dor consistiu em ver o Menino Jesus nascer numa pobre gruta, correspondente à alegria de ver os anjos, pastores e Magos que vieram adorá-Lo. A segunda lhe adveio na apresentação de Jesus no Templo, quando o profeta Simeão proclamou que uma espada de dor traspassaria o coração de Maria, justapondo-se à alegria de ouvir, ao mesmo tempo, que o Menino seria a luz das nações e a glória de Israel. A terceira dor foi a fuga para o Egito e as provas do caminho, seguida da alegria de ver crescer em graça e santidade o Divino Infante. A quarta se deu com a perda do Menino Jesus em Jerusalém e a angústia de buscá-Lo por três dias, correspondendo à alegria de encontrá-Lo no Templo e tê-Lo em casa por muitos anos. Por fim, a quinta dor foi separar-se de Jesus e de Maria na hora de sua morte, tendo a alegria e o consolo de morrer assistido por Eles, tornando-se assim o Patrono da Boa Morte.
Não se sabe exatamente quando morreu São José, mas a Igreja considera que tenha sido antes de iniciar-se a vida pública de Nosso Senhor, pois nas Bodas de Caná Ele estava apenas em companhia de sua Mãe.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O Homem escolhido por Deus

De todas as gloriosas palavras sobre São José, outras não dizem tanto quanto a simples afirmação de que foi esposo de Nossa Senhora e pai legal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois Deus, tão magnificente no predestinar, modelar e cumular de graças a Mãe do Verbo Encarnado, se-lo-ia menos no escolher e formar o homem destinado por Ele a ser esposo dessa Virgem Mãe e pai jurídico desse Filho? 

(Plinio Correa de Oliveira)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Oração para pedir uma boa morte

São José, meu amável protetor, que morrestes nos braços de Jesus e de Maria, socorrei-me em todas as necessidades e perigos da vida, mas principalmente na hora suprema, vindo suavizar minhas dores, enxugar minhas lágrimas, fechar suavemente meus olhos, enquanto pronunciar os dulcíssimos nomes: Jesus, Maria, José, salvai a minha alma! Amém.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O varão a quem Deus chamou de pai

Deus escolhe sempre o mais belo
Deus Todo-Poderoso, para quem “nada é impossível” (Lc 1, 37) e que tudo governa com sabedoria infinita, possui algo que poderíamos chamar de sua “única limitação”: ao criar, Ele nada pode escolher de menos belo e perfeito, ou que não seja para sua glória. Desde toda a eternidade, ao determinar a Encarnação do Verbo, quis o Pai que — apesar das aparências de pobreza e humildade através das quais Se mostraria, e que contribuiriam para sua maior exaltação — a vinda de seu Filho ao mundo se revestisse da suprema pulcritude conveniente a Deus. Assim, dispôs que Ele fosse concebido por uma Virgem, concebida por sua vez sem pecado original, unindo em Si as alegrias da maternidade à flor da virgindade. Porém, para completar o quadro, tornava-se necessária a presença de alguém que projetasse na terra a própria “sombra do Pai”. Para tal missão Deus destinou José, ao qual poderíamos aplicar as palavras da Escritura, referindo-se a seu antepassado Davi: “O Senhor escolheu para Si um homem segundo o seu coração” (1 Sm 13, 14).
Varão justo por excelência
Levando em conta o axioma latino: “ne-mo summus fit repente” e o acertado dito de Napoleão: “a educação de uma criança começa cem anos antes de ela nascer”, é provável que, em atenção à sua missão e ao seu papel de educador junto ao Menino-Deus, José tenha sido santificado já no seio materno, como o foi João Batista no ventre de Santa Isabel. Essa tese é defendida por diversos autores e pode sintetizar-se nas palavras de São Bernardino de Sena: “Sempre que a graça divina escolhe alguém para algum favor especial ou para algum estado elevado, concede-lhe todos os dons necessários à sua missão; dons que a ornam abundantemente”.

O louvor de José, tal como o Evangelho no-lo traça, encerra-se numa única e breve frase: era justo. Tal elogio, à primeira vista de um laconismo desconcertante, nada tem de medíocre. Na linguagem bíblica, o adjetivo “justo” designa todas as virtudes reunidas. No Antigo Testamento, justo é aquele a quem a Igreja dá o nome de santo: justiça e santidade exprimem a mesma realidade.
Ao serrar a madeira, fabricar um móvel ou um arado, José mantinha sempre seu espírito voltado para o sobrenatural, elevando-se para o aspecto mais sublime das coisas e considerando tudo sob o prisma de Deus. Suas atitudes refletiam a seriedade e a altíssima intenção com a qual sempre agia, e isso contribuía para o maior primor dos trabalhos por ele executados. Sua humilde condição de trabalhador manual em nada lhe diminuía a nobreza. Reunia em si, de forma admirável, as duas classes sociais: como legítimo herdeiro do trono de Davi, conservava em seu porte e semblante a distinção e a elegância próprias a um príncipe, aliando-as, porém, a uma alegre simplicidade de caráter. Para ele, mais importante do que a nobreza de sangue é aquela que se alcança pelo brilho da virtude; e esta, ele a possuía largamente.
A Providência, entretanto, o destinava a alcançar a mais alta honra que se possa dar a uma criatura concebida no pecado original e o colocava em desproporção com todo o restante dos homens. Diz São Gregório Nazianzeno: “O Senhor conjugou em José, como num sol, tudo quanto os outros santos têm, em conjunto, de luz e de esplendor”. Todas as glórias acumulam-se neste varão incomparável, cuja existência terrena transcorre dentro de uma sublimidade ignorada por seus conhecidos e compatriotas, num silêncio e apagamento quase completos.
Admirável consonância entre duas almas virgens

No Antigo Testamento, a virgindade ainda não adquirira o prestígio do qual passou a gozar na Era Cristã. Muito pelo contrário, quem não constituísse família, ou se visse impossibilitado de gerar filhos, era considerado maldito por Deus. “A espera do Messias dominava a tal ponto os espíritos, que o desprezo do casamento equivalia a uma recusa desonrosa de contribuir para a vinda d’Aquele que havia de restaurar o reino de Israel” (1). De acordo com a opinião generalizada, José, movido por uma especial moção do Espírito Santo, decidira permanecer virgem por toda a vida. Porém, não querendo singularizar-se, contrariando os costumes de seu tempo, resignara-se a contrair matrimônio, convencido de que o Senhor,tendo lhe inspirado esse bom propósito, o ajudaria a levá-lo a cabo.
 Cedendo, pois, às exigências sociais, resolveu pedir a mão de Maria, a qual ele provavelmente já conhecia, pois ambos pertenciam à mesma tribo e habitavam na mesma aldeia. Tudo indica que naquela época os pais de Maria haviam falecido e Ela vivia sob a tutela de algum parente. Sem levar em conta a opinião da jovem, seu tutor apenas Lhe comunicou ter aceito o pedido de um pretendente a ser seu marido.
 É sabido que Maria, desde a infância, consagrara ao Senhor sua virgindade. Entretanto, acostumada a obedecer, inclinou-Se ante a decisão de seus parentes, acreditando ser essa a manifesta vontade da Providência. Se conservava algum receio, deve este ter-se dissipado quando soube que o escolhido era José, o nobre descendente da estirpe de Davi, em cuja alma Ela já vira, por seu aguçado dom de discernimento, as altíssimas qualidades postas por Deus.
 Antes dos esponsais, Maria precisava dar a conhecer ao seu noivo o voto de virgindade, sob pena de o matrimônio ser nulo. Fê-lo de forma séria e decidida, falando com toda a simplicidade de seu inocente coração. José pensou estar ouvindo uma voz do Céu e reconheceu, emocionado, a mão da Providência atendendo às suas preces. É impossível ter idéia do grau de concórdia dessas duas almas, ao se revelarem mutuamente seus mais íntimos mistérios. Desde esse instante, José passou a ser o modelo perfeito do devoto de Nossa Senhora. Podemos bem imaginar que, já nesse primeiro encontro, a graça o tocou de maneira especial, levando-o a consagrar-se como escravo de amor Àquela que, mais do que esposa, já considerava como Senhora e Rainha.</div>

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A Escada Milagrosa de Santa Fé ( EUA )


O primeiro passo para se começar uma grande devoção a São José, é começar a pedir-lhe sua intercessão, afirmava Mons. João Clá Dias. Pois são incontáveis as graças que recebemos rogando o vosso auxílio.Uma pequena amostra das graças concedidas por este grandiosíssimo Santo é a história da escada milagrosa que até hoje é uma prova sensível de que, quem pede recebe.

A História desta prodigiosa escada tão surpreendente quanto encantadora, justifica por inteiro o nome que lhe foi dado pela devoção popular: Escada Milagrosa.

Em 1853, as “Irmãs de Loreto” fundaram na cidade de Santa Fé, EUA, a escola de Nossa Senhora da Luz( Loreto ). Anos depois, as freiras decidiram construir uma capela dedicada à sua Padroeira. E optaram pelo estilo gótico, imitação da famosa Sainte Chapelle, de Paris.

Somente quando estava concluída a obra, em 1878, as boas religiosas deram-se conta de um monumental descuido do arquiteto:não havia escada de acesso ao coro, situado a cerca de dez metros de altura!...E a construção de uma escada comum não apenas deformaria o estilo, mas reduziria de modo inaceitável o espaço útil do pequeno templo.

Foram consultados arquitetos, carpinteiros e outros profissionais. Todos afirmaram categoricamente que a única “solução” era usar uma escada portátil.

Mas as freiras queiram uma igreja bela, digna da Rainha de todas as belezas.

Cheias de fé, iniciaram uma novena a São José. Afinal de contas – argumentavam elas -ele é um carpinteiro inigualável.

No último dia da novena , apresentou-se um carpinteiro à procura de trabalho. Foi logo contratado para executar a obra considerada impossível e trabalhou com diligência durante seis meses.

Certo dia as freiras verificaram , deslumbradas , que estava construída uma esplêndida escada em forma de caracol, uma autêntica jóia de madeira.

Onde estava ele? Ninguém sabia. Havia desaparecido sem se despedir, sem receber pagamento e nem sequer um agradecimento. Procuraram inutilmente, inclusive por meio de um anúncio publicado no jornal da cidade.

Por outro lado , um exame meticuloso da escada causava a todos enorme admiração. Sua estrutura , além de de vários detalhes da construção, deixam perplexos os especialistas até hoje. Ela é feita sem a utilização de um único prego e as duas voltas completas de 360 graus não tem nenhum apoio colateral. Algumas de suas peças são de um tipo de madeira inexistente na região.

Em vista das circunstâncias em que foi feita a novena a São José, a inexplicável perfeição da obra , sob o ponto de vista humano , e o misterioso desaparecimento do artista , as freiras não tiveram dúvida em tirar a conclusão: o próprio esposo da Virgem Maria viera realizar, em homenagem a Ela , aquilo que a técnica humana considerada impossível.

E lá está até hoje , maravilhando todas as almas capazes de ver e amar a beleza, a Escada Milagrosa da capela de Nossa Senhora de Loreto , na cidade norte-americana de Santa Fé.

terça-feira, 25 de março de 2008

O homem a quem Deus quis chamar "Pai"

Apresentaremos nas próximas postagens, artigos redigidos por alguns arautos formados pelo Mons. João Clá publicados na Revista “Arautos do Evangelho”. São esses escritos uma pequena amostra da devoção a São José que o Mons. João Clá soube transmitir a seus discípulos. O seguinte artigo é de autoria de Juliane Campos, publicado em março de 2003.

O homem a quem Deus quis chamar “Pai” [1]
Uma família bem constituída é condição essencial para a boa formação psicológica e o equilíbrio emocional. Ter a seu lado quem simbolize o carinho e a bondade, alguém que auxilie a superar as dificuldades da vida e que na hora das aflições se possa procurar com toda a confiança é fundamental na estruturação mental de uma criança. Do ponto de vista natural, talvez seja esta a principal função das mães junto a seus filhos. Mas também é fundamental ter alguém que represente a força, o vigor, o apoio, a proteção e o esteio do lar. É a figura do pai.

Mas, se essa é a responsabilidade do pai em uma família comum, como fica essa missão quando a Esposa desse lar é Maria Santíssima e o Filho único, a própria Segunda Pessoa da Santíssima Trindade?

Bem sabemos que Jesus nasceu da ação miraculosa do Espírito Santo no claustro materno de Nossa Senhora, sendo, portanto, filho deste divino desposório. Mas quis Ele vir ao mundo no seio de uma família legalmente constituída, da qual fazia parte o castíssimo esposo da Santíssima Virgem. Conheçamos um pouco mais este homem a quem o próprio Deus quis chamar pai: São José!



[2] O Santo do Silêncio


De fato, Nosso Senhor foi chamado o .filho de José (Jo 1, 45; 6, 42 e Lc 4, 22), o carpinteiro (Mt 13, 55), mas o Evangelho pouco fala de seu pai adotivo. São José é cognominado o Santo do Silêncio, pois não conhecemos palavras proferidas por ele mesmo, mas tão-somente suas obras e atos de fé, amor e proteção para com sua amadíssima esposa e o Menino Jesus. Entretanto, foi um escolhido de Deus e desde o início recebeu a graça de ir discernindo os desígnios divinos sobre si, por ser chamado a guardar os mais preciosos tesouros do Pai Celestial: Jesus e Maria. Patrono da vida interior, é ele um exemplo de espírito de oração, sofrimento e admiração. Sendo o chefe da família, admirava sua esposa virginal, concebida sem a mancha do pecado de Adão, e o fruto de suas entranhas, Deus feito homem, muito maiores que ele mesmo.

[1] Revista “Arautos do Evangelho”, número 15, março de 2003, pág. 20.
[2] Revista Arautos do Evangelho, número 15, março de 2003, págs. 20-21.

terça-feira, 4 de março de 2008

São José, o homem cuja fé passou por cima de todas as realidades materiais

Sendo o Mons. João Clá ardoroso devoto de São José, numerosas são suas alusões ao Esposo da Mãe de Deus, durante conversas e reuniões de formação para os Arautos do Evangelho. As palavras abaixo foram colhidas de um comentário feito por ele, a pedido de alguns jovens Arautos, no dia 21 de dezembro de 2006. Nelas o Mons. João Clá apresenta São José como exemplo de fé para todos aqueles que se encontram em situações perplexitantes, nas quais as aparências contradizem a promessa feita por Deus.
[1]São José, o mais santo de todos os homens, não havia entendido o mistério da Encarnação. Então, ia fugir. Um Anjo precisou segurá-lo, dizendo: “Não se assuste, Ela concebeu por obra do Espírito Santo”.
Isto nos conduz a uma perspectiva muito bonita e paradoxal: nós não devemos julgar nada pelas suas aparências. Nós devemos sempre estar penetrando nos arcanos de Deus e de dentro dos olhos de Deus, analisar as coisas. Portanto, ver muito mais o interior do que as aparências, porque no nascimento de Nosso Senhor estas foram inteiramente contrárias a todas as profecias.


Nós temos um casal: Ela, juveníssima, vai dar à luz, mas o marido percebe que o filho não é dele. Ele vê a aparência e está perplexo. São José não procedeu mal, o fato é que ele não recebeu graça suficiente para, ele mesmo, perceber a situação. Por que não recebeu graça suficiente? Porque a Providência queria que ele recebesse uma revelação tão alta — e que não partisse de Nossa Senhora — que exigisse dele um ato de fé, para assim participar daquela maravilha que iria acontecer.

O modo de São José participar, foi passar pela perplexidade. E, no auge da perplexidade, aceitar com humildade, fé e confiança o que o Anjo lhe dizia num sonho. Com isso, ele acabou participando de uma forma profunda da Encarnação e do Nascimento de Nosso Senhor enquanto pai adotivo, pois o fruto da esposa é dele também. Mas, em certo momento, São José teve que passar por cima das aparências. Tendo sido revelado a ele em sonho, ele dobrou os joelhos e disse: “As aparências são contrárias a isso. Mas eu aceito!”

Por que São José aceitou? Porque ele vivia numa perspectiva muito mais sobrenatural do que os fariseus. O que ele aceitou os fariseus não aceitaram.

Portanto, nós devemos fazer de tudo para que as coisas se passem dentro de uma grandeza extraordinária. Mas quando nós empregarmos todos os nossos meios e não conseguirmos dar a nota de grandeza que está no fundo de nossas almas, enquanto visão do sobrenatural, devemos passar por cima das realidades materiais e ver a grandeza sobrenatural que está por detrás.

[1] Extraído de conversa na Casa Mãe dos Arautos do Evangelho, 21 de dezembro de 2006; adaptado à linguagem escrita, publicado sem revisão e conhecimento do autor.